INHAPIM — O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou um motorista por duplo homicídio qualificado, em decorrência do acidente que matou os irmãos William Oliveira Almeida, de 27 anos, e Wellington Oliveira Almeida, de 31, na BR-116, em Dom Cavati. O caso ocorreu na manhã de 22 de outubro de 2025.
De acordo com o inquérito policial, o acusado conduzia um caminhão de grande porte quando invadiu a contramão em um trecho de curva devidamente sinalizado, colidindo frontalmente com a motocicleta ocupada pelos irmãos, que seguiam regularmente no sentido oposto. Com o impacto, ambos sofreram múltiplas lesões e morreram ainda no local.
Conforme o MP, as investigações apontaram que não houve qualquer reação do motorista ao realizar a curva, sendo a invasão da pista contrária determinante para a colisão. Para o Ministério Público, o denunciado assumiu o risco de produzir o resultado morte (dolo eventual), ao conduzir o veículo em condições incompatíveis com a segurança viária. Consta ainda que ele estava com a Carteira Nacional de Habilitação vencida.
A denúncia sustenta que o crime foi cometido por motivo torpe, relacionado à busca por vantagem econômica mediante jornadas excessivas de trabalho, além do emprego de meio que gerou perigo comum e de recurso que dificultou a defesa das vítimas, surpreendidas pela invasão repentina da contramão.
O Ministério Público aponta também que o motorista deixou de prestar socorro, abandonou o local do acidente e teria alterado elemento relevante para a investigação ao substituir o disco do cronotacógrafo — equipamento que registra velocidade e tempo de direção — com o objetivo de dificultar a apuração dos fatos.
Diante das circunstâncias, o órgão denunciou o investigado por duplo homicídio qualificado, omissão de socorro, fuga do local do acidente e fraude processual, requerendo que ele seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, além da reparação dos danos às famílias das vítimas.
Também foi solicitada a aplicação de medidas cautelares, como a suspensão do direito de dirigir, diante do risco de reiteração de condutas perigosas no trânsito.









