A comemoração dos 34 anos de emancipação política de Entre Folhas começou com o pé direito — e com a bola rolando. A escolha de abrir a programação com um amistoso envolvendo o Cruzeiro Esporte Clube Master não foi apenas acertada do ponto de vista esportivo, mas também simbólica.
Mais do que um simples jogo, o encontro no Estádio Avelino Marques do Amaral mostrou a força do futebol como elemento de identidade coletiva. O estádio cheio não foi por acaso: trata-se de uma paixão que atravessa gerações e une diferentes perfis da comunidade em torno de um mesmo sentimento.
A vitória por 3 a 2 do time estrelado, embora relevante dentro das quatro linhas, foi quase um detalhe diante do verdadeiro resultado da noite: o engajamento popular. Em tempos em que muitas celebrações públicas perdem força ou se tornam meramente protocolares, ver uma cidade mobilizada por um evento esportivo é um sinal positivo. Entre Folhas mostrou que sabe celebrar. Agora, o desafio é transformar esse espírito festivo em legado duradouro. Parabéns, Entre Folhas!
Mais que um jogo
Há jogos que terminam quando o árbitro apita. Outros, não. Permanecem ecoando na memória, costurando passado e presente como se o tempo fosse apenas um detalhe. O amistoso em Entre Folhas, nas comemorações de seus 34 anos, foi exatamente assim: mais do que futebol, foi reencontro com a própria história.
Quando nomes como Sérgio Araújo, ídolo do Atlético Mineiro nos anos 80, entram em campo, não se trata apenas de um ex-atleta correndo atrás da bola. É a lembrança viva de um tempo em que o futebol tinha outro ritmo, outra mística. Ao lado dele, figuras como Somália, com passagens marcantes por América Mineiro e Fluminense, e Nonato, capitão histórico do Cruzeiro Esporte Clube, reforçam essa sensação de que o tempo pode até passar — mas o talento, esse não envelhece.
E como não lembrar de Leandro, peça importante da inesquecível Tríplice Coroa de 2003? Ou ainda de tantos outros, como Da Silva, Mancuso, Irineu, Joilson — nomes que talvez não estejam todos nos holofotes hoje, mas que ajudaram a escrever capítulos importantes do futebol brasileiro, dentro e fora do país.
Mas há um outro lado dessa história que merece igual aplauso. A seleção de Entre Folhas, formada por ex-jogadores da cidade, não entrou em campo apenas para compor o espetáculo — competiu, honrou sua camisa e mostrou que o talento também nasce e se fortalece longe dos grandes centros. Foi um jogo equilibrado, digno da festa que o cercava.
E, no meio de tudo isso, o futebol cumpre seu papel mais bonito: pude reencontrar o “interminável” Angolinha, relembrar os tempos em que jogamos juntos por Santa Rita e Esplanada, rir das histórias que só quem viveu entende — isso não entra na súmula, mas é o que realmente fica.
Marquinhos do Broa
Em tempos em que muitas celebrações públicas passam despercebidas, é justo reconhecer quando uma cidade consegue transformar uma data comemorativa em um verdadeiro momento de união. Em Entre Folhas, a abertura das festividades mostrou exatamente isso: gente nas ruas, no estádio e, principalmente, envolvida.
Fica o registro de parabéns ao prefeito Marquinhos do Broa. É gratificante chegar à cidade e perceber a alegria estampada no rosto das pessoas. Mais do que organizar um evento, trata-se de criar um ambiente em que a população se sinta parte, em que haja orgulho de pertencer.
Porque, no fim, uma boa gestão também se mede assim: na capacidade de gerar momentos que aproximam, valorizam a história e fazem a cidade pulsar.
Rogério Silva
@papoesportivodc
Fotos: Samuel Fotógrafo














