Preso que matou detento de Caratinga com requintes de crueldade volta ao centro e diz que sofre tortura

DA REDAÇÃO – Crimes de extrema brutalidade, investigações que apontam reincidência e denúncias de maus-tratos colocam em evidência a situação do sistema prisional mineiro, especialmente após os episódios registrados na Penitenciária Doutor Manoel Martins Lisboa Júnior, em Muriaé, e os desdobramentos envolvendo um detento transferido para o Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Belo Horizonte.

O caso ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo em que o preso Aldeir Souza Jardim, conhecido como “Bila”, denuncia supostos episódios de tortura, agressões físicas e psicológicas, além da falta de atendimento médico adequado na unidade para onde foi transferido. Ele afirma ser portador de doenças graves, como osteomielite, tumor na cabeça e crises epilépticas, e alega não estar recebendo a medicação necessária.
Até o momento, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais não havia se manifestado oficialmente sobre as denúncias.

Crimes brutais dentro da unidade
As acusações surgem na esteira de investigações que revelam um histórico de violência extrema dentro do sistema prisional. No dia 2 de abril, um detento foi encontrado esquartejado dentro de uma cela na unidade de Muriaé. A vítima, Deyon Moura Santos, de 28 anos, teve partes do corpo espalhadas pela galeria.
O principal suspeito, que dividia a cela com a vítima, confessou o crime. Segundo a apuração da Polícia Civil, ele teria iniciado o ataque enquanto o colega dormia, utilizando asfixia e, posteriormente, uma arma improvisada para mutilar o corpo ao longo de várias horas.
O delegado responsável pelo caso destacou o nível de frieza e planejamento da ação, classificando o autor como um indivíduo de alta periculosidade.

Crime anterior teve vítima de Caratinga
As investigações conduzidas pela Polícia Civil de Minas Gerais apontam que o mesmo detento já havia sido envolvido em outro homicídio ocorrido em janeiro deste ano, também dentro da penitenciária.
Na ocasião, a vítima foi Douglas Cristóvão Fernandes, de 38 anos, natural de Caratinga. Ele foi morto por asfixia dentro da cela e, posteriormente, teve mãos e pés decepados com o uso de lâmina de barbear. Um segundo detento também foi indiciado por participação no crime.
A motivação, conforme apurado, estaria relacionada a conflitos internos e disputas no ambiente prisional. Após esse episódio, os envolvidos passaram a permanecer isolados.

Indiciamentos e cenário preocupante

Nos dois casos, o suspeito foi indiciado por homicídio triplamente qualificado, com agravantes como motivo fútil, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas. As penas somadas podem ultrapassar décadas de reclusão, considerando também o histórico criminal do investigado.
Os inquéritos foram encaminhados ao Ministério Público de Minas Gerais, que deverá analisar o material e decidir sobre o oferecimento de denúncia à Justiça.

Denúncias e alerta sobre o sistema

Paralelamente às investigações, o detento passou a denunciar supostos maus-tratos no sistema prisional após transferência para Contagem. Em vídeo, ele relata agressões físicas, psicológicas e falta de assistência médica adequada, alegando quadro de saúde grave.

Com informações: Rádio Itatiaia

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