INHAPIM – O julgamento de Wallace de Souza, acusado de provocar a morte de um casal em um acidente na BR-116, foi adiado para o próximo dia 12 de maio após a defesa abandonar o plenário do Tribunal do Júri na manhã desta segunda-feira (27), no fórum da comarca de Inhapim.
A decisão ocorreu depois que os advogados recém-constituídos alegaram não ter condições técnicas de realizar a defesa no momento. Segundo o advogado Abraão, a equipe foi contratada na última sexta-feira (24) e considerou o processo complexo, além de estar sob segredo de Justiça e cercado por forte comoção social.
“Nós fomos contratados na última sexta-feira para patrocinar a defesa. É um processo complexo, de grande repercussão. Informamos ao juiz que não tínhamos condições técnicas de realizar esse júri neste momento”, afirmou.
Ainda de acordo com o defensor, foi solicitado o adiamento da sessão, pedido que não havia sido concedido inicialmente. Diante disso, a defesa optou por abandonar o plenário — medida classificada por ele como extrema.
“Não podemos anuir com um julgamento injusto. A Justiça não pode ter pressa, ela tem que ser justa. Por isso, abandonamos tecnicamente o plenário”, declarou.
O advogado também ressaltou que, apesar de o juiz ter deixado um defensor disponível para atuar no caso, o acusado tem o direito de ser assistido por um profissional de sua confiança. Segundo ele, Wallace foi orientado a não aceitar a nomeação.
Com isso, conforme prevê a legislação, o magistrado deverá conceder prazo para que o réu constitua nova defesa ou mantenha a atual, o que levou ao adiamento do julgamento.
O caso
Wallace de Souza é acusado de dois homicídios qualificados pela morte de Iran Garcia Ferreira, de 22 anos, e Luana Aparecida Machado Rabelo, de 21, em um acidente ocorrido no dia 17 de maio de 2024, no km 505 da BR-116, em Inhapim.
De acordo com a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais, o acusado conduzia o veículo sob efeito de álcool, em alta velocidade e com a capacidade psicomotora comprometida. Ao tentar uma ultrapassagem, ele teria adormecido ao volante, invadido a contramão e colidido frontalmente com a motocicleta em que estavam as vítimas.
Com o impacto, os dois jovens foram arremessados e morreram ainda no local, em decorrência de múltiplas lesões.
A acusação sustenta que o crime foi cometido com o uso de meio que gerou perigo comum e com recurso que dificultou a defesa das vítimas, surpreendidas pela manobra do veículo.
Novo julgamento
Com o adiamento, o júri foi redesignado para o dia 12 de maio. A expectativa é de que, até lá, a situação da defesa seja regularizada para a realização da sessão.









