Motorista de aplicativo agredida por colega de profissão relata caso e cobra providências. Câmeras de segurança registraram a situação
CARATINGA – Câmeras de segurança flagraram o momento em que um motorista de aplicativo agride uma colega de profissão com um soco no rosto, na noite do dia 12 de janeiro, em frente ao supermercado Coelho Diniz, nas proximidades da Praça da Estação. A vítima, Cristiane Aparecida Soares Salgado, caiu ao chão após ser atingida. O caso foi registrado pela Polícia Militar e segue em apuração.
Segundo Cristiane, a discussão teve início por causa da organização de vagas no ponto, onde os motoristas seguem um sistema informal de rodízio. “Esse fato aconteceu no dia 12 de janeiro, por volta de 19h, 19h20, mais ou menos. A discussão foi boba, digamos assim. Foi por causa de uma vaga, a vez era minha. O motorista da frente me chamou, e até que eu fui buscar o meu carro, que ele estava na rua lateral. Quando eu cheguei, esse outro motorista estava estacionando.”
Ela explica que atua no local desde 2020 e que situações de desentendimento já ocorreram antes, mas nunca haviam ultrapassado o campo verbal. “Ali, na verdade, nós somos muitos. Sempre acontece de uns passarem na frente da gente, às vezes por esperteza, às vezes porque não perceberam o outro chegando. Sempre houve bate-boca mesmo e nunca passou disso, nunca.”
No dia da agressão, ao perceber que o colega ocupava a vaga que seria sua, Cristiane decidiu questioná-lo. “Eu parei o carro do lado dele e falei: ‘Geraldo, era minha vez, o senhor está estacionando aí’. Ele falou que eu era muito sonsa, que tinha chegado e o espaço estava livre, e que tinha estacionado mesmo. Eu questionei: ‘Mas você não viu que eu fui buscar meu carro?’. Ele disse que não ia tirar. Desligou o carro, puxou o freio de mão com raiva.”
A discussão continuou por poucos instantes. “A gente continuou batendo boca, mas foi coisa rapidinho. Ele desceu do carro, eu desci também. Na hora que eu saí do carro, ele, sem nenhuma chance até de eu me defender, já foi ao meu encontro e me deu um tapa no rosto.”
A agressão a pegou de surpresa. “Eu caí na via pública. Muitas pessoas viram. Quando eu levantei, eu não sabia o que tinha me acontecido. Minha boca sangrou na hora. Eu fiquei sem reação, eu perdi o jeito mesmo.”
Mulheres que passavam pelo local intervieram e acionaram a Polícia Militar. “As meninas que estavam caminhando viram tudo e vieram até ele, chamando a atenção. Foram elas que chamaram os policiais para mim. Eu não sabia o que estava acontecendo.”
Ela afirma que o agressor fugiu logo após o ocorrido, o que também aparece nas imagens. A viatura policial chegou cerca de 20 minutos depois. “Dá pra ver no vídeo que ele fugiu. Eu fiz o boletim de ocorrência, fui até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), fiz o exame de corpo de delito e peguei o laudo para anexar no inquérito. Agora estou aguardando. A advogada me disse que já foi para o Fórum e vai ter uma audiência.”
Cristiane relata que o homem voltou a trabalhar normalmente na cidade. “Ele foragiu naquele dia, mas está na cidade trabalhando normalmente. Eu mesma já vi.”
Ao refletir sobre o episódio, ela atribui a agressão ao preconceito. “Isso foi machismo. Só aconteceu porque eu sou mulher. Se fosse homem, teria resolvido ali mesmo, acredito. Ainda existe preconceito no pleno século XXI.”
Ela também faz um apelo para que outras mulheres denunciem casos de violência. “Não podemos aceitar. Isso é um insulto, é preconceito. Se acontecer com qualquer uma, que tomem as medidas cabíveis, façam boletim de ocorrência. No caso de agressão doméstica, procurem a Delegacia da Mulher. A gente não pode deixar isso. Isso precisa acabar.”
Possíveis enquadramentos criminais
Conforme o Código Penal Brasileiro, o autor pode responder pelo crime de lesão corporal (art. 129), caso seja comprovada a ofensa à integridade física da vítima, o que depende da análise do laudo pericial.
Se houver comprovação de motivação relacionada à condição de gênero, o caso pode ser enquadrado como forma de violência contra a mulher, nos termos da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), a depender do entendimento jurídico sobre o contexto.
Também pode haver apuração quanto ao crime de injúria (art. 140), em razão das ofensas verbais relatadas.
A investigação policial irá definir os enquadramentos conforme as provas reunidas no inquérito.
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VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NO BRASIL
A violência contra a mulher no Brasil atingiu níveis alarmantes em 2025, com dados apontando para um novo recorde de feminicídios e alta incidência de agressões físicas e psicológicas, principalmente dentro de casa. O Brasil registrou uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em 2025.
Aqui estão os principais dados e tendências baseados no levantamento de 2024/2025:
- Estatísticas de Violência Física e Psicológica (2025)
Agressão Recorrente: Entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2025, 37,5% das mulheres brasileiras sofreram pelo menos um tipo de violência (física, sexual ou psicológica) por parceiro íntimo, totalizando cerca de 27,6 milhões de mulheres.
Violência Psicológica: É a mais comum, atingindo 31,4% das mulheres, incluindo ameaças e stalking.
Violência Física: Aproximadamente 16,9% das mulheres relataram agressões físicas, como empurrões, chutes ou tapas, no mesmo período.
Casos Domésticos: Uma pesquisa DataSenado indicou que 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar em 2025.
Frequência: A cada 4 minutos, uma mulher é agredida no Brasil.
- Principais Características da Violência
Local: A maioria das agressões (57% a 71%) ocorre no próprio domicílio, desmistificando o lar como local seguro.
Agressores: Parceiros ou ex-parceiros (cônjuges, namorados) são os principais autores (40% a 26,8% dos casos).
Testemunhas: Nove em cada dez agressões (91,8%) ocorreram na presença de terceiros, incluindo crianças, em 2025.
Feminicídio: O Brasil registrou um recorde em 2025 com 1.470 mulheres assassinadas, um aumento de 16,3% nas tentativas de feminicídio em relação a 2024.
- Estados com Mais Denúncias (2025)
São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais lideram em números absolutos de casos e denúncias:
São Paulo: 233 casos de feminicídio (até jan/2026).
Minas Gerais: 139 casos.
Rio de Janeiro: 104 casos.
- Como Denunciar
A principal ferramenta de denúncia é o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher), que funciona 24 horas, é gratuito e sigiloso.
180: Central de Atendimento à Mulher (Nacional)
190: Polícia Militar (Em casos de emergência/agressão no momento)










