Em cidades do interior, onde a vida ainda acontece na praça, no mercado ou no portão de casa, as RELAÇÕES HUMANAS SÃO BEM PROFUNDAS. Maridos e esposas dividem o trabalho, as preocupações, a criação dos filhos e o peso da vida diária. Mas onde há esse tipo de convivência real, também há feridas.
Palavras ditas no calor do momento, promessas quebradas, atitudes que ferem… Ignorar essas dores não resolve. Com o tempo, o ressentimento vai se acumulando, como poeira fina das estradas de terra que entra devagar pela casa. Ele – esse danadinho do ressentimento – não faz barulho, mas muda completamente o ambiente.
A Bíblia descreve um caminho diferente. Na carta do apóstolo Paulo aos Efésios (4:31-32), encontramos um princípio claro:
“Longe de vocês esteja toda amargura, indignação e ira… antes, sejam bondosos e compassivos, perdoando uns aos outros.”
Perdão, porém, é frequentemente mal compreendido. Perdoar não significa fingir que nada aconteceu. Com certeza não é negar a nossa dor. Também não significa esquecer ou aceitar qualquer comportamento. O PERDÃO COMEÇA quando reconhecemos que fomos feridos — e escolhemos não permitir que aquela DOR CONTROLE O FUTURO.
Muitos casais permanecem presos não ao erro em si, mas ao ressentimento guardado. A conversa fica pesada, o olhar endurece, e a distância cresce dentro da própria casa.
Às vezes, uma frase simples abre uma nova porta:
“Eu errei. Não era isso que eu queria causar.”
Palavras assim exigem humildade, mas têm grande poder de reconstrução. Elas diminuem defesas e criam espaço para recomeçar.
Outro princípio bíblico reforça esse caminho. Na carta aos Colossenses (3:13), o apóstolo Paulo também escreveu:
“Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros.”
Isso não significa tolerar tudo. PERDÃO SAUDÁVEL anda junto com a verdade, a responsabilidade e a mudança de atitudes.
E aqui é importante dizer algo com clareza para quem sofre em silêncio: perdão não significa aceitar violência ou abuso. A Bíblia também valoriza a dignidade e a proteção da vida. Situações de agressão física, psicológica ou ameaças precisam de ajuda externa — da família, de líderes responsáveis e das autoridades. Ninguém foi criado para viver com medo.
Quando há arrependimento verdadeiro e disposição para mudar, a reconciliação pode acontecer. Às vezes ela leva tempo, mas traz alívio e restaura o respeito.
Perdoar não apaga o passado, MAS IMPEDE QUE ELE GOVERNE O FUTURO. É uma escolha difícil, porém libertadora.
No fim das contas, o perdão abre espaço para algo que todos desejam em casa: PAZ PARA CONTINUAR CAMINHANDO JUNTOS.
Profa. W.L. Kruger – Faculdade de Teologia Uriel de Almeida Leitão – WhatsApp +1-470-604-0806 ou Email: krugerwilma210@gmail.com
Espaço de nosso leitor
Em “Conflito não é ‘O’ inimigo” (semana anterior) Wilma Kruger combina a seriedade do tema sentimental com a flexibilidade-pluralidade do mistério, ao detectar que o Amor também habita na guerra! “Há tempo de guerra, e existe também o tempo de paz.” (Qohélet) Também em outra parte está escrito: “Sou eu que crio todas essas coisas” (Isaías). Penso que, tendo a Teologia como chave-hermenêutica também da relação humano-afetiva entre casais — que, em elipse, nossa escritora fundamenta —, tudo se simplifica e, por fim, se ressignifica! Nele, que nos imprime a consciência de que “o amor tudo sofre, crê, suporta, e tudo espera”. (1 Cor 13 – Apóstolo do Amor).
Pr. Prof. Me. Felipe Curcio Ferreira Silva (Ipanema-MG, Brasil)











