Desde que cheguei ao Diário de Caratinga, em 2008, mantenho a tradição de, a cada quatro anos, escrever artigos especiais sobre a Copa do Mundo da FIFA. Este ano não será diferente.
Faltando 36 dias para o início do Mundial, convido você a viajar um pouco pela história das Copas. Naturalmente, com destaque para a Seleção Brasileira — a única presente em todas as edições: 1930, 1934, 1938 (em 1942 e 1946 não houve competição devido à Segunda Guerra Mundial), 1950, 1954, 1958, 1962, 1966, 1970, 1974, 1978, 1982, 1986, 1990, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022.
Serão seis artigos, publicados nas próximas quartas-feiras, revisitando momentos marcantes ao longo das 22 edições da Copa do Mundo.
1930: O começo de tudo
O francês Jules Rimet foi o idealizador da Copa do Mundo da FIFA, oficializada em 1928, durante sua gestão à frente da entidade. Seu sonho era criar um torneio global que reunisse as nações em torno do futebol — algo ainda ousado para a época.
O Uruguai foi escolhido como sede da primeira edição, não por acaso: o país vivia o auge do seu futebol, sendo bicampeão olímpico (1924 e 1928), e celebrava o centenário de sua independência. Além disso, o governo uruguaio se comprometeu a bancar os custos das delegações — um fator decisivo, já que a viagem até a América do Sul era longa e feita de navio.
Bem diferente dos dias atuais — quando o torneio contará com 48 seleções —, a Copa de 1930 reuniu apenas 13 países. Muitas seleções europeias desistiram da disputa justamente pela dificuldade da travessia do Atlântico. Entre as que aceitaram o desafio, algumas passaram mais de duas semanas em alto-mar para chegar a Montevidéu.
A competição foi disputada entre os dias 13 e 30 de julho. Os times foram divididos em quatro grupos, com os líderes avançando às semifinais. Não havia ainda eliminatórias: os participantes foram convidados.
Todos os jogos aconteceram na capital uruguaia, com destaque para o lendário Estádio Centenário, construído especialmente para o torneio. A final, no dia 30 de julho de 1930, parou o país.
Diante de cerca de 90 mil torcedores, o Uruguai venceu a Argentina por 4 a 2, de virada, e tornou-se o primeiro campeão mundial. A decisão foi cercada de tensão, dentro e fora de campo — tanto que o árbitro precisou sair escoltado após o apito final.
Assim nascia uma competição que, décadas depois, se tornaria o maior espetáculo esportivo do planeta.
Brasil na Copa de 30
A Seleção Brasileira de Futebol participou da primeira Copa do Mundo da FIFA, em 1930, no Uruguai, ainda marcada por desorganização interna. Dividido entre dirigentes do Rio de Janeiro e de São Paulo, o país levou uma equipe formada, em sua maioria, por jogadores cariocas.
Goleiros: Joel e Veludo
Defensores: Brilhante, Itália, Luizinho e Oscar
Meio-campistas: Fausto, Hermógenes, Plácido e Fernando
Atacantes: Preguinho, Friedenreich, Nilo, Moderato, Paschoal, Teixeira e Benevenuto
Em campo, o Brasil estreou com derrota por 2 a 1 para a Iugoslávia e venceu a Bolívia por 4 a 0 na segunda partida, com destaque para Preguinho, autor do primeiro gol da Seleção em Copas.
Mesmo com a vitória, a equipe foi eliminada ainda na fase de grupos, já que apenas o primeiro colocado avançava. Foi um início discreto para uma trajetória que, anos depois, faria do Brasil a maior potência do futebol mundial.
VOCÊ SABIA? — Brasil na Copa de 1930
- A Seleção Brasileira viajou de navio até o Uruguai, em uma jornada que durou vários dias — bem diferente das viagens rápidas de hoje.
- O elenco era formado, em sua maioria, por jogadores do Rio de Janeiro, devido a desentendimentos com dirigentes de São Paulo.
- Preguinho marcou o primeiro gol do Brasil na história das Copas do Mundo.
- O craque Arthur Friedenreich, já em fim de carreira, teve participação discreta no torneio.
- Muitos jogadores ainda eram amadores e precisaram se afastar de seus empregos para disputar a Copa do Mundo da FIFA.
- Foi uma campanha curta: uma derrota e uma vitória, com eliminação ainda na fase de grupos.
1934 e 1938: A coisa começou a mudar
Após a estreia em 1930, a Seleção Brasileira voltou a disputar a Copa do Mundo da FIFA em 1934, na Itália. O torneio teve formato eliminatório desde o início, e o Brasil acabou sendo eliminado logo na primeira partida, ao perder por 3 a 1 para a Espanha. Assim como em 1930, a participação foi marcada por problemas de organização e pouca preparação.
Já em 1938, na França, o cenário começou a mudar. Mais estruturado, o Brasil fez sua melhor campanha até então e alcançou o terceiro lugar. A equipe encantou o mundo com o talento de Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”, artilheiro da competição e um dos primeiros grandes ídolos do futebol brasileiro.
A evolução era evidente. De um início instável, o Brasil começava a se firmar no cenário internacional — preparando o terreno para capítulos ainda mais marcantes, que viriam nas Copas de 1950 e 1958.
Na próxima quarta-feira, vamos abordar 1950, 1958 e 1962.
Rogério Silva
@papoesportivodc










