Copa Menino Maluquinho: Contagem regressiva

A questão que não está em pauta é:

EDUCAÇÃO, ENERGIA E FUTURO: O DEBATE QUE O BRASIL INSISTE EM IGNORAR.

 

Se você acha que educação e geração de empregos são temas óbvios na agenda pública, pense novamente. O que está faltando — e o que explica a crise crônica em que vivemos — é um debate frontal sobre o papel da energia como infraestrutura essencial para educação, produção e inclusão social. Ignorar essa conexão é condenar o Brasil a uma promessa de desenvolvimento que nunca se realiza.

Primeiro, os fatos: cerca de 3% das escolas brasileiras ainda não têm acesso à energia elétrica, segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica de 2024 — o que significa que milhares de alunos estudam sem luz, sem acesso à tecnologia e sem laboratórios capazes de formar competências para o século XXI.

Esse descuido não é apenas geográfico; é profundamente político. Como formar cidadãos preparados se as escolas não têm energia estável para operar computadores, acesso à internet ou equipamentos pedagógicos modernos? A educação que prometemos não existe na prática quando falta a base material que a sustenta.

A energia também é tradicionalmente vista como um invólucro técnico, isolado da discussão sobre emprego. Mas essa visão fragmentada já não se sustenta. No Brasil, fontes renováveis representam uma parcela crescente da matriz energética, com a indústria alcançando mais de 60% de uso de energia limpa em 2024 — um sinal de que é possível conciliar desenvolvimento com sustentabilidade.

No setor agrícola, que muitos insistem em tratar como distante da pauta energética, o agronegócio responde por cerca de 29% de toda a energia renovável usada no país, com uma participação de 60% entre as fontes limpas — demonstrando que produzir alimentos e energia pode ser complementar, não antagônico.

Mas eis o paradoxo: ainda que o Brasil tenha uma matriz energética promissora, a energia para famílias e produtores segue cara, e a infraestrutura que deveria viabilizar oportunidades de estudo e trabalho permanece insuficiente. É nesse contexto que se revela o verdadeiro enfraquecimento da economia — e não apenas por falta de recursos financeiros, mas por falta de projeto político.

 

A geração de empregos verdes — ligada diretamente à transição energética — oferece um vislumbre de futuro: estudos apontam que o Brasil poderá criar cerca de 7 milhões de empregos ligados à economia sustentável até 2030, especialmente em energia solar, eólica, reciclagem e tecnologias ambientais. Isso não é especulação: é um caminho concreto para transformar crise em oportunidade.

Ainda assim, sem formação adequada, esses empregos simplesmente não serão ocupados por brasileiros. A insanidade está em reforçar que “educação é importante” sem articular que educação depende de energia, e que emprego depende de educação e energia — uma cadeia de causa e efeito que muitos gestores fingem não ver.

O Brasil tem todas as condições naturais de ser uma potência educacional e produtiva. Tem energia renovável em abundância, tem um setor agrícola integrado e tem jovens ansiosos por estudar e trabalhar. O que falta é uma política pública que coloque educação e energia no centro da estratégia de desenvolvimento nacional, em vez de relegá-las a coadjuvantes.

A pergunta não é mais por que educação e emprego precisam de energia — a resposta já está nos dados. A pergunta é: que desenvolvimento queremos construir? Um em que escolas sem luz continuem existindo? Um em que talentos desperdiçados ocupem empregos medíocres? Um em que o Brasil almeje ser potência apenas nas manchetes?

Se queremos uma sociedade mais justa, inovadora e inclusiva, precisamos de escolhas políticas que garantam energia limpa, acessível e estável para iluminar escolas, energizar empresas e impulsionar o trabalho digno de milhões de brasileiros. Sem isso, qualquer discurso sobre futuro não passa de retórica vazia.

PAZ E BEM!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *