André Quintão destaca avanços sociais, investimentos e cenário político

Secretário nacional de Assistência Social cumpre agenda em Caratinga e detalha investimentos da reparação do Rio Doce

 

CARATINGA – O secretário nacional de Assistência Social, André Quintão, esteve em Caratinga cumprindo agenda institucional do Governo Federal e participou de uma caravana técnica voltada ao acompanhamento dos municípios contemplados com recursos oriundos da reparação da tragédia de Mariana. Cidadão honorário do município, Quintão foi recebido pelo Diário de Caratinga e falou sobre investimentos, políticas públicas, desafios sociais, cenário nacional e também sobre seu futuro político.

Currículo

André Quintão é assistente social e sociólogo. Foi deputado estadual por Minas Gerais, reeleito em 2018 com 71.615 votos, para o mandato 2019/2022. Também atuou como líder do Bloco Parlamentar “Democracia e Luta”, de oposição ao Governo Estadual, reunindo 16 parlamentares.

Ao longo da carreira, exerceu cargos estratégicos na área social, como secretário municipal de Desenvolvimento Social de Belo Horizonte (1994/1996) e secretário de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social (2015/2016). É servidor concursado da Prefeitura de Belo Horizonte, atualmente licenciado.

 

Recursos da Bacia do Rio Doce chegam a Caratinga

Segundo o secretário, a visita faz parte de um esforço do Governo Federal para garantir que os recursos do novo acordo da Bacia do Rio Doce sejam aplicados de forma técnica, transparente e com impacto social efetivo. Ao todo, 38 municípios da região, incluindo Caratinga, foram contemplados, com um montante de R$ 640 milhões, a serem repassados ao longo de 20 anos, em parcelas anuais.

“Estamos auxiliando os municípios para que façam uma boa e justa operacionalização desses recursos, garantindo que cheguem, de fato, às pessoas que mais precisam”, afirmou Quintão.

 

CRAS itinerante e fortalecimento da assistência social

 

Para Caratinga, foi anunciado que a parcela anual de 2025, estimada em R$ 439 mil, será destinada à aquisição de uma van e equipamentos de informática, possibilitando a criação de um CRAS itinerante. A iniciativa busca atender comunidades mais afastadas, como a região da Ilha do Rio Doce, evitando longos deslocamentos da população até a sede do município.

“A proposta é levar o atendimento até as pessoas, fazendo cadastramento, atualização de dados e garantindo acesso aos serviços da assistência social”, explicou.

Durante a visita, o secretário também se reuniu com trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e com a equipe da secretaria municipal, liderada por Manuel. Entre as parcerias anunciadas está a cessão de um terreno da União, no bairro Barra do Esplanada, para a construção do primeiro CRAS próprio do município, diretamente gerido pela Prefeitura.

 

Assistência social como direito

 

Ao abordar conceitos frequentemente confundidos, André Quintão reforçou que assistência social não se confunde com assistencialismo. “Desde a Constituição de 1988, a assistência social é um direito do cidadão. Ela envolve serviços, benefícios e proteção social. Já a filantropia e a caridade são valores importantes da moral privada, mas não substituem a responsabilidade do Estado”, pontuou.

Segundo ele, políticas públicas exigem profissionais qualificados, critérios técnicos e financiamento permanente por parte dos governos federal, estadual e municipal.

 

Combate à fome e redução da pobreza

 

O secretário destacou como uma das principais conquistas recentes a retirada do Brasil do Mapa da Fome, alcançada antes da meta inicialmente prevista para 2026. Entre as ações citadas estão o fortalecimento do Bolsa Família, o aumento real do salário mínimo, a retomada do emprego e o incentivo à agricultura familiar, por meio de programas como PRONAF e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

De acordo com Quintão, a taxa de pobreza no Brasil caiu pela metade, atingindo o menor índice da história, embora o país ainda enfrente desafios importantes.

 

Principais desafios sociais

 

Entre os desafios atuais, o secretário apontou o crescimento da população em situação de rua, especialmente em médias e grandes cidades, a necessidade de integração com políticas de saúde mental, dependência química e moradia, além do aumento das calamidades climáticas.

Ele lembrou sua atuação durante as enchentes no Rio Grande do Sul, quando a assistência social foi responsável pelo acolhimento de 86 mil pessoas desabrigadas, reforçando que hoje o país conta com uma estrutura nacional preparada para responder a emergências.

Outro ponto destacado foi o crescimento do fluxo migratório, com a chegada de venezuelanos, haitianos, africanos, afegãos e brasileiros repatriados, que também demandam acolhimento e políticas públicas específicas.

 

Bolsa Família e mercado de trabalho

 

Quintão rebateu críticas ao Bolsa Família, afirmando que o benefício não desestimula o trabalho. “O Bolsa Família complementa a renda. Dos trabalhadores que ingressaram no mercado formal, 88% vieram do Cadastro Único e do Bolsa Família. Isso desmonta a ideia de que quem recebe o benefício não quer trabalhar”, afirmou.

Ele também destacou questões estruturais, como baixos salários, ausência de creches em tempo integral e longas jornadas, que impactam diretamente a permanência das pessoas no mercado de trabalho.

 

Jornada de trabalho e qualidade de vida

 

O secretário avaliou que o debate sobre jornada de trabalho vai além da economia e envolve saúde mental e qualidade de vida. “Uma pessoa que passa três ou quatro horas no transporte público, somadas a oito horas de trabalho, praticamente não vive. A produtividade não depende apenas de mais horas trabalhadas, mas de bem-estar”, observou.

 

Cenário político e possível pré-candidatura

Questionado sobre uma eventual pré-candidatura neste ano, André Quintão afirmou que ainda está dentro do prazo legal para uma decisão. “Tenho até o dia 3 de abril para desincompatibilizar. No momento, estou cumprindo uma agenda institucional do Ministério”, explicou.

Ele relembrou que, na última eleição, estava preparado para disputar uma vaga de deputado estadual, após ter obtido mais de 70 mil votos em 2018, sua maior votação. No entanto, foi convidado pelo presidente Lula para integrar a chapa ao Governo de Minas, ao lado do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil. “Infelizmente, não vencemos, mas contribuímos muito para o resultado do presidente Lula em Minas. Hoje, sigo cumprindo meu papel na assistência social nacional”, afirmou.

Independentemente do cenário eleitoral, Quintão destacou sua forte ligação com Minas Gerais e com a região. “Tenho uma relação muito próxima com o estado e com Caratinga. Isso é algo que independe de eleição”, completou.

 

Mensagem à população de Caratinga

 

Ao final da entrevista, o secretário deixou uma mensagem de carinho ao município. “Caratinga é uma cidade que admiro muito, com referências históricas, culturais, religiosas e intelectuais marcantes. Tem uma história, além da própria dinâmica da sua economia. Tenho muitos amigos aqui e uma relação antiga construída com amizade e fraternidade”, concluiu.

Como secretário nacional de Assistência Social, André Quintão foi receber os deportados pelo governo dos Estados Unidos (Arquivo: Maurício Vieira / Hoje em Dia)

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