Sabores que contam histórias: oficina de gastronomia ancestral celebra a cultura afromineira em Inhapim

Projeto “Saberes de Resistência” promove imersão culinária com o chef Carlos Sathler e reforça a valorização das raízes culturais afrodescendentes

 

INHAPIM – No último sábado (25), o município viveu uma experiência que foi muito além da culinária. A Oficina de Gastronomia Ancestral, ministrada pelo renomado chef Carlos Eduardo Sathler Campos, reuniu participantes em um verdadeiro mergulho nos sabores, saberes e memórias da cozinha afromineira.

Com mais de 50 anos de trajetória na gastronomia, Sathler — residente em Dom Cavati, artista plástico e proprietário do Carlos Sathler Arte e Bistrô — conduziu a atividade com sensibilidade e profundo conhecimento, conectando técnica, história e identidade cultural. Durante o encontro, os participantes tiveram a oportunidade de compreender como a culinária tradicional carrega em si marcas da resistência e da ancestralidade negra em Minas Gerais.

A iniciativa foi idealizada pela Associação Grupo Tá no Sangue, de Inhapim, com apoio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), Minas Cultura e Turismo e do Ministério do Turismo. Inserida no projeto “Saberes de Resistência”, a oficina reafirma o papel da cultura como instrumento de preservação histórica e transformação social.

“Foi um momento ímpar, de valorização da nossa história através de aromas e sabores. É também uma forma de fortalecer e dar visibilidade à cultura afromineira”, destacou a produtora cultural Magaly MelloDias, uma das articuladoras do projeto.

Durante a oficina, foram apresentadas três receitas emblemáticas que traduzem a essência da proposta: Moamba de Galinha com Funge, prato de origem africana que carrega forte simbolismo cultural; Camarão em Moqueca na Folha de Bananeira, que ressalta técnicas tradicionais e ingredientes naturais; e a Pamonha Salgada, releitura de um clássico da culinária regional com influência afrodescendente.

Mais do que ensinar receitas, a atividade proporcionou um espaço de troca de conhecimentos e vivências, promovendo o reconhecimento das contribuições da cultura negra na formação da identidade mineira.

Para a presidente da Associação Grupo Tá no Sangue, Imaculada Aparecida Silva, a realização da oficina representa um marco importante. “Ter a oportunidade de idealizar uma ação como essa vai além da transmissão de conhecimento. É reafirmar nosso compromisso social e cultural, levando à comunidade saberes ancestrais com legitimidade e pertencimento”, afirmou.

A Oficina de Gastronomia Ancestral integra uma série de ações do Ponto de Cultura Tá no Sangue, que tem se destacado pela promoção de atividades voltadas à valorização das tradições afro-brasileiras. O projeto “Saberes de Resistência” segue fortalecendo a identidade cultural local e incentivando novas gerações a reconhecerem e preservarem suas raízes.

A Oficina de Gastronomia Ancestral, ministrada pelo renomado chef Carlos Eduardo Sathler Campos

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