Pai denuncia uso indevido da imagem da filha em suposta vaquinha virtual

Polícia civil investiga o caso

CARATINGA / PIEDADE DE CARATINGA – A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou procedimento investigativo para apurar o uso indevido da imagem de uma criança com deficiência física em campanhas de arrecadação de dinheiro divulgadas nas redes sociais. O caso veio à tona após denúncia feita pelo pai da menina, Edgar Ferreira, morador da zona rural de Piedade de Caratinga.
Segundo o pai, a família tomou conhecimento da situação após amigos enviarem publicações veiculadas no Instagram, nas quais uma suposta ONG denominada ‘Movimento Esperança’ solicitava doações em nome da criança, utilizando uma narrativa falsa e sensacionalista. Nas postagens, afirmava-se que a menina teria sido abandonada pelo pai, que a família viveria em situação de extrema necessidade e que os recursos arrecadados seriam destinados ao seu sustento.
“Isso não é verdade. Nós não estamos fazendo nenhuma vaquinha. Estão usando a imagem da minha filha para aplicar um golpe”, afirmou Edgar Ferreira. Ele ressaltou que a criança, identificada corretamente como Kerllen, 7 anos, reside com a família na zona rural e recebe acompanhamento e cuidados adequados. “Graças a Deus, ela vive bem, tem cadeira de rodas, fraldas e tudo o que precisa. O único apoio externo vem de pessoas que doam fraldas mensalmente, mas não existe nenhuma campanha de arrecadação”, explicou.
Diante da denúncia, Edgar compareceu à Delegacia de Polícia Civil de Caratinga para registrar boletim de ocorrência.

Investigação em andamento

O delegado Victor Gonçalves Castor, responsável pela apuração de crimes de estelionato, estelionato eletrônico e outras fraudes na região, confirmou a instauração do procedimento investigativo.
“A Polícia Civil de Minas Gerais tomou conhecimento da circulação de imagens que utilizam indevidamente a imagem de uma criança, supostamente residente em Piedade de Caratinga, para angariar fundos por meio de uma suposta vaquinha virtual. Foi realizada a oitiva da vítima e de seu representante legal, e constatou-se que a situação realmente estava ocorrendo”, afirmou o delegado.
Segundo Castor, a PCMG já oficiou a empresa Meta, responsável pelas plataformas onde o conteúdo circulava, solicitando a suspensão das publicações. Também estão sendo adotadas providências para identificar os responsáveis, apurar eventual movimentação financeira e, se necessário, representar por medidas cautelares junto ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.

Alerta à população
Em nota oficial, a Polícia Civil destacou que os fatos indicam, em tese, a prática de fraude e possível uso indevido de imagem de menor, condutas consideradas graves, sobretudo diante da proteção integral garantida por lei a crianças e adolescentes.
A PCMG reforça o alerta à população para que não realize doações sem verificar a autenticidade e a legitimidade das campanhas, especialmente aquelas divulgadas exclusivamente por meio de redes sociais ou aplicativos de mensagens. “Ao realizar doações sem a devida apuração, a pessoa acaba contribuindo para a continuidade desse tipo de crime”, destacou o delegado.
Informações que possam auxiliar nas investigações podem ser repassadas de forma anônima pelos canais oficiais da Polícia Civil.

A Polícia Civil de Minas Gerais reafirma seu compromisso com o combate aos crimes cibernéticos, ao estelionato eletrônico e à proteção integral de crianças e adolescentes.

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