CARATINGA – O Tribunal do Júri da Comarca de Caratinga condenou, nesta quinta-feira (29), Lucas de Souza Melo a 27 anos e 6 meses de prisão pelo assassinato de Matheus Victor Fagundes Soares, ocorrido em setembro de 2023. A sentença reconheceu o crime de homicídio consumado duplamente qualificado, além dos crimes de porte ilegal de munição e arma de fogo de uso restrito e fraude processual qualificada.
O julgamento foi considerado complexo pelo Ministério Público, em razão dos pontos polêmicos e da atuação combativa da defesa. Em entrevista após o júri, o promotor de Justiça Henry Wagner destacou o trabalho conjunto da Polícia Civil e do Ministério Público desde o início da persecução penal até a condenação.
“Lidamos com uma causa difícil, com muitos pontos controvertidos. O acusado contou com uma defesa muito competente, mas houve uma entrega integral das instituições para que a Justiça, respaldada na melhor análise das provas, fosse alcançada com essa condenação vultosa”, afirmou o promotor.
Segundo Henry Wagner, o Conselho de Sentença reconheceu que o homicídio foi praticado por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, além de outros crimes conexos.
Motivação do crime
Ainda conforme o promotor, a motivação do crime teve origem em uma discussão ocorrida horas antes do assassinato, em um bar, no bairro Dário Grossi. Matheus e Lucas mantinham uma amizade antiga, desde a infância, mas tiveram um desentendimento após a vítima acreditar que o acusado teria se envolvido em um episódio anterior com sua namorada.
“O que a prova revelou é que o acusado se sentiu humilhado naquela discussão, especialmente porque estava acompanhado de uma pessoa conhecida no meio criminoso. Ele não aceitou ser confrontado e decidiu buscar uma arma”, explicou Henry Wagner.
De acordo com o Ministério Público, áudios divulgados pelo próprio acusado indicam sua intenção de matar a vítima e adquirir uma arma de fogo, o que acabou se concretizando horas depois.
Execução
O crime ocorreu na madrugada de 17 de setembro de 2023, por volta de 0h44, na rua Guilhermon E. Nascimento, no bairro Santa Zita. Câmeras de segurança registraram parte da discussão entre vítima e acusado, sem agressões físicas, até o momento em que ambos se deslocam para um trecho mais escuro da via, fora do alcance das imagens.
“Ali, o acusado, já armado, atraiu a vítima para um ponto distante da residência e efetuou um único disparo, que atingiu a região frontal da cabeça e transfixou até a região occipital”, detalhou o promotor.
O homicídio foi presenciado por uma moradora da rua, que relatou ter ouvido a discussão e visto o momento final, quando a vítima pediu para cessar o conflito, afirmando que ambos eram amigos. Segundo o relato, o acusado respondeu que iria matá-lo e, em seguida, atirou.
Rejeição da tese de legítima defesa
Durante o julgamento, a principal tese da defesa foi a de legítima defesa, argumento rechaçado pelo Conselho de Sentença. Para o Ministério Público, ficou comprovado que o acusado foi armado até a residência da vítima, provocou a situação e conduziu Matheus até um local mais isolado, onde praticou o crime.
“Crimes contra a vida não serão tolerados. Nosso papel é contribuir para uma sociedade em que a violência não seja normalizada nem justificada por pretextos frágeis”, enfatizou Henry Wagner.
A reportagem fez contato com defesa de Lucas, representada pelo advogado Anderson Parreira, mas preferiu não se manifestar.
O crime
Matheus Victor Fagundes Soares, de 28 anos, foi assassinado por volta de 1h da madrugada do dia 17 de setembro de 2023. A Polícia Militar foi acionada após moradores ouvirem barulho semelhante a disparo de arma de fogo e encontrarem a vítima caída ao solo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatou o óbito no local.
A perícia da Polícia Civil confirmou que Matheus foi atingido por um único disparo, com entrada na região frontal da cabeça e saída pela nuca. A namorada da vítima relatou que ambos estavam deitados quando ele saiu para resolver uma questão e, pouco depois, foi informada por vizinhos sobre o ocorrido.
Prisão do acusado
Lucas de Souza Melo chegou a ficar foragido da Justiça após o crime. Ele foi preso em março de 2025, durante operação da Polícia Civil, com apoio da Interpol e da Polícia Militar, no bairro Santa Cruz, em Caratinga. Na residência onde ele estava escondido, foram apreendidos pés e uma bucha de maconha.
Após a condenação, o réu permanece à disposição do Poder Judiciário, cumprindo a pena imposta pelo Tribunal do Júri.








