Parabéns, DIÁRIO!

Em um tempo marcado pela velocidade da informação e pela efemeridade das notícias, a existência de um jornal diário que ultrapassa a marca de 30 anos não é apenas um feito — é um símbolo de resistência, credibilidade e compromisso com a sociedade.

Manter um veículo ativo por mais de três décadas significa atravessar transformações profundas: mudanças tecnológicas, transições políticas, crises econômicas e, sobretudo, alterações no comportamento do público. Um jornal que permanece relevante nesse cenário não sobrevive por acaso. Ele se sustenta pela confiança construída ao longo do tempo.

É um privilégio, humildemente, colaborar semanalmente com o DC. Afinal, o esporte sempre foi pauta do jornal. Desde que aqui cheguei, em 2008, são 18 anos de jornal, com mais de 400 colunas às terças e aos sábados, além das matérias especiais dos principais eventos esportivos da cidade e região. Nesta coluna especial, quero revisitar algumas que foram marcantes:

 

Coco e seu amor pelo futebol

Em maio de 2020, tive a colaboração dos familiares e o prazer de contar um pouco da rica história de vida do saudoso Waldevino Alexandre da Silva, “Coco”, nome icônico do Anápolis e um dos personagens inesquecíveis do nosso futebol.

 

Um goleiraço chamado Cacau

No ano de 2018, foi marcante escrever sobre a partida do ídolo Cacau: Um goleiraço chamado Cacau!

A quinta-feira amanheceu triste para o futebol regional. Ex-jogadores, dirigentes, torcedores e desportistas em geral receberam com muita tristeza a notícia da morte do grande Cacau, um dos maiores nomes da história do nosso futebol.

José Carlos Gomes nasceu em 29 de agosto de 1944, em Leopoldina (MG). Antes de desembarcar em Caratinga para fazer história, jogou no Ribeiro Junqueira, time de sua cidade natal, depois pelo Comercial de Ribeirão Preto (SP), Tupi de Juiz de Fora e Democrata-GV. Em 1966, chegou a Caratinga para vestir a camisa 01 do Esporte Clube Caratinga. Cacau lembrava com orgulho sua estreia com vitória por 1 a 0 contra o 1º de Maio, de Ponte Nova. A formação inicial teve: Cacau; Joani, Jairão, Tutuca e Quincas; Nenem Homem (que depois foi jogar no Vasco e em Portugal), Pingo e Luizinho; Macumba, Artuzinho (autor do gol) e Renato.

Tive a oportunidade de entrevistá-lo e prestar uma homenagem no programa Abrindo o Jogo. Emocionado, contou boas histórias e falou de jogos marcantes.

 

Pina e Bebeto

Em junho de 2016, pude relembrar, na coluna, dois craques do nosso futebol que brilharam com a camisa alvirrubra. Pina era artilheiro nato. Em jogadas aéreas, era quase impecável. Bebeto era um volante clássico, de ótimo passe e inteligente no posicionamento. Marcaram época com a camisa americana.

 

Entrevistando o ídolo Raul

 

Raul, ídolo de infância, goleiro tricampeão brasileiro pelo Flamengo, campeão da Libertadores e do Mundial, além de nove vezes campeão mineiro pelo Cruzeiro, Taça Brasil de 1966 e Libertadores de 1976. Poder entrevistar alguém com tanta história é um aprendizado!

 

O adeus a Zé Canuta

 

Escrever essa coluna teve um peso emocional pessoal para mim.

“O futebol de Caratinga amanheceu mais triste no sábado de carnaval. Aos 85 anos, perdemos o mais vitorioso técnico de nossa rica história futebolística. José de Sales, o Zé Canuta, parte para o andar de cima levando consigo muitas e boas histórias da bola.

Ex-jogador nos tempos em que o futebol ainda engatinhava em nossa cidade, Canuta se destacou mesmo quando assumiu a missão de formar jogadores. Treinador vitorioso em todas as categorias de base por onde passou, entre tantos craques descobertos e lapidados por ele, podemos destacar: Élvio (filho), César (sobrinho), Marcinho, Guilhermino, Anísio, Nélio, Vagalume, Índio, entre tantos outros que fizeram história pelos campos de Caratinga e região.

 

Zé Canuta era sapateiro por profissão. Talvez por isso entendia como ninguém a formação de ‘pé de obra’. Formar craques, que juntos formariam timaços, era sua especialidade. Títulos de categorias de base são incontáveis. Naturalmente, ganhar troféus com os times principais também passou a ser rotina. América e Caratinga devem a ele conquistas inesquecíveis de suas histórias. Bairro das Graças, campeão em 1987, e União Rodoviário, em 1991, também.

Zé Canuta, bom pescador, também era ótimo contador de histórias — a maioria, claro, de futebol. Causos de vestiário e bastidores dos times que comandou eram seus preferidos. Morreu contando história para a enfermeira.

Sou um privilegiado por ter sido criado podendo conviver com essa lenda, compartilhar sua mesa, ouvir suas histórias e conselhos desde pequeno, levar algumas broncas e receber muito carinho dele e de toda a família, que adotei como minha. Obrigado por tudo, Canuta. Vá com Deus. O futebol de Caratinga agradece!”

 

Bate-papo com o Rei

Esse dia foi inesquecível: nossa viagem pela história do Brasileirão continuou na coluna especial do Diário de Caratinga. Depois de recordar os três títulos do Internacional (1975/76/79), voltamos a 1977, ano em que o São Paulo conquistou seu primeiro título e o Atlético foi vice-campeão invicto. Polêmicas, fatos, causos…

 

O dia em que achei o craque Perrola

Em junho de 2014, a coluna Abrindo o Jogo continuou lembrando eternos craques do nosso futebol. Naquele final de semana, recordamos o craque do Verdão campeão em 1982: Perrola. Jogava muito.

 

O craque Marcinho

Também em junho de 2014, a resenha foi com um dos maiores craques que já vi jogar. A coluna especial recordou um dos grandes nomes da história do nosso futebol: Marcinho, craque do Esporte Clube Caratinga nas décadas de 1970 e 1980. O jogador que presenteou Roberto Dinamite com um chapéu e uma caneta em amistoso contra o Vasco.

 

Valeu, DIÁRIO

 

31 anos de trajetória não é para qualquer um. Por isso, os diretores e todos os colaboradores do Diário de Caratinga merecem os parabéns. Só quem está na redação, no dia a dia, sabe o quanto é desafiador fazer jornalismo sério e comprometido em tempos de redes sociais.

Obviamente, ao longo dos meus 18 anos de Diário de Caratinga e mais de 400 artigos, muitas outras histórias poderiam estar aqui. Mas que venham mais 31, 32, 33, 50, 100 anos de Diário de Caratinga!

 

Rogério Silva

@papoesportivodc

 

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