CARATINGA- O caramujo africano é um animal que vem preocupando autoridades de saúde em todo o Brasil. Presente atualmente em todos os estados, ele é considerado uma praga que pode causar problemas à saúde das pessoas, prejuízos à agricultura e impactos ao meio ambiente.
Nos últimos, moradores de algumas localidades de Caratinga na área urbana e rural têm se queixado da ocorrência de infestação desses caramujos e apresentado dúvidas sobre o combate.
De acordo com o diretor do Departamento de Epidemiologia e Estatística, Brenner Pereira Almeida de Carvalho, o caramujo africano chegou ao Brasil de forma irregular, na década de 1980, após uma tentativa de criação comercial que não deu certo. “Como a atividade não foi viável, muitos caramujos acabaram sendo jogados na natureza, o que facilitou a proliferação da espécie”, explica.
Sem predadores naturais e com grande facilidade de adaptação ao clima brasileiro, o caramujo africano se espalhou rapidamente. Cada animal pode colocar até 400 ovos de uma só vez, várias vezes ao ano. Além disso, ele se reproduz com muita facilidade, o que acelera ainda mais o aumento da população.
Riscos à saúde
A presença do caramujo africano não é apenas um incômodo visual. Ele pode transmitir uma doença chamada angiostrongilíase, que atinge o ser humano de forma acidental. “As pessoas não são o alvo natural do parasita, mas podem se contaminar ao ter contato com o caramujo ou com a secreção que ele deixa pelo caminho”, alerta Brenner.
Nos casos mais graves, o parasita pode atingir o cérebro, causando fortes dores de cabeça, inflamação e outros sintomas neurológicos. Em outras situações, ele pode se instalar no intestino, provocando dor abdominal, inflamação e problemas gastrointestinais.
No Brasil, a principal forma de contaminação acontece pela ingestão de frutas, verduras e legumes mal lavados, que podem ter entrado em contato com o muco do caramujo africano.
Como controlar o caramujo africano
Ao longo dos anos, várias formas de combate ao caramujo africano foram testadas, como o uso de veneno ou sal. No entanto, essas práticas não são recomendadas, pois causam danos ao meio ambiente.
Hoje, a orientação é o controle manual, feito por meio da coleta dos caramujos e de seus ovos. “Esse método é eficaz e causa menos impacto ambiental”, destaca o diretor.
Após a coleta, os caramujos e ovos devem ser esmagados e enterrados em valas profundas, com uso de cal, em locais afastados de poços, cisternas e nascentes. Quando o enterrio não for possível, pode-se usar água com cloro, deixando os animais submersos por pelo menos 24 horas antes do descarte no lixo comum.
Cuidados importantes
Durante todo o processo de coleta, é fundamental usar luvas e botas de borracha. Caso não haja luvas, sacos plásticos podem ser usados para proteger as mãos. Também é importante utilizar pás, baldes e sacos resistentes.
Para evitar a contaminação, a recomendação é lavar bem frutas, verduras e legumes antes do consumo, evitar o contato direto com os caramujos e nunca consumir moluscos crus ou malcozidos.
“A informação e a participação da população são essenciais para reduzir a infestação e proteger a saúde de todos. Também é fundamental manter a limpeza dos quintais, de forma também a evitar a proliferação de animais peçonhentos, como escorpiões”, reforça Brenner Pereira Almeida de Carvalho.
BOX:
O QUE PODE E O QUE NÃO PODE.
PODE
✔ Realizar coleta manual dos caramujos e dos ovos.
✔ Utilizar luvas e botas de borracha durante a coleta.
✔ Na ausência de luvas, usar sacos plásticos nas mãos como proteção.
✔ Utilizar pás, baldes ou sacos resistentes para acondicionar os moluscos.
✔ Esmagar completamente os caramujos e os ovos após a coleta.
✔ Enterrar os resíduos em valas entre 80 centímetros e 1,5 metro de profundidade.
✔ Revestir a vala com cal virgem antes do enterro.
✔ Escolher local distante de poços, cisternas e lençóis freáticos.
✔ Utilizar solução clorada para tratamento dos moluscos esmagados quando não houver vala disponível.
✔ Deixar os moluscos esmagados submersos na solução de cloro por no mínimo 24 horas antes do descarte.
✔ Higienizar bem frutas, verduras e legumes antes do consumo.
✔ Orientar a população sobre os riscos do caramujo africano.
NÃO PODE
✖ Manusear caramujos sem proteção nas mãos.
✖ Jogar caramujos vivos no lixo comum.
✖ Soltar caramujos em terrenos baldios, lotes vagos ou áreas verdes.
✖ Utilizar sal ou pesticidas como método de controle.
✖ Queimar caramujos em locais inadequados.
✖ Enterrar caramujos sem esmagar.
✖ Realizar descarte próximo a fontes de água.
✖ Consumir moluscos crus ou malcozidos.
✖ Consumir verduras e frutas sem higienização adequada.
✖ Permitir acúmulo de entulho, folhas ou materiais que sirvam de abrigo para os moluscos.











