Uma década de escrita

Nesse mês de fevereiro irei completar 10 anos colaborando com o jornal Diário de Caratinga. Particularmente, enxergo isso como uma marca incrível, pois nunca imaginei que eu continuaria escrevendo por tanto tempo. E, durante todo esse tempo, muitos foram os temas e assuntos abordados semanalmente por meio dos inúmeros artigos. Ao longo de uma década escrevendo sobre sociedade, cultura, educação, política, fé e valores, uma coisa ficou clara: não escrevi sobre temas dispersos e sem relação uns com os outros, mas sim sobre diferentes manifestações de um mesmo problema. A crise, que atravessa o nosso tempo, não se limita a episódios pontuais ou a circunstâncias passageiras; ela se apresenta como um estado contínuo de desorientação do homem contemporâneo diante do mundo, diante de si mesmo e das responsabilidades que estão sobre cada um de nós.

Os textos escritos ao longo desses anos nasceram sempre de inquietações provocadas pelo cotidiano, pelos acontecimentos históricos, pelas transformações culturais e, sobretudo, pela percepção de que algo essencial estava – e ainda está – sendo progressivamente abandonado. Ao abordar temas como relativismo, corrupção, sobre a educação sendo negligenciada, manipulação das massas, perda de princípios, crise de integridade, esvaziamento da cultura, banalização da fé e sobre a fragilidade das instituições, o objetivo nunca foi apenas criticar, mas compreender os sintomas e provocar reflexão.

Essa escrita se desenvolveu no espaço público, principalmente por meio da colaboração contínua com o jornal Diário de Caratinga, que ao longo desses anos se tornou mais do que um simples veículo de publicação: tornou-se um espaço de diálogo, responsabilidade e amadurecimento.

Nesse percurso, é impossível não reconhecer o papel de pessoas que compreenderam a importância da cultura e do pensamento crítico em tempos de toda a superficialidade crescente em nossa atualidade. Entre elas, registro minha gratidão especial ao escritor e jornalista José Horta, cuja atenção, incentivo e abertura foram fundamentais para que essa trajetória se consolidasse. Em um cenário em que o espaço para reflexão séria se torna cada vez mais raro, apoiar a escrita é um gesto que ultrapassa o jornalismo e se transforma em compromisso com a formação cultural da sociedade.

Diante disso, neste mês de fevereiro pretendo, através dos artigos, resgatar alguns pontos dessa trajetória, relembrando temas, assuntos e pessoas que foram importantes durante todo esse percurso. No primeiro artigo, o olhar se volta para a memória e para os incentivos que tornaram este caminho possível, reconhecendo que ninguém escreve sozinho e que toda escrita carrega a marca de encontros e apoios. O segundo, tratará daquilo que une os temas abordados ao longo dessa década: a crise de fundamentos que sustenta todo o caos do mundo contemporâneo, mostrando como assuntos aparentemente diferentes e distintos se mostram como consequências da mesma crise. Já o terceiro e último artigo dessa série, aborda o sentido de continuar escrevendo, sobre o sentido de continuar fazendo resistência diante da banalização do pensamento e da rendição moral, resistência à ideia de que tudo é relativo e descartável. Resistência à pressa que impede a reflexão. Resistência à tentação de transformar a escrita em produto e não em responsabilidade.

Escrever, ao longo desses anos, foi uma tentativa de não naturalizar o absurdo, de não aceitar o caos como destino inevitável e de insistir que a sociedade só se transforma quando o homem se dispõe a rever seus princípios, suas escolhas e sua visão de mundo.

Esta introdução é somente um ponto de partida. Um convite à leitura atenta dos textos que virão, que não registram apenas uma década de escrita, mas expressam uma postura diante do tempo em que vivemos: a de quem acredita que pensar ainda é um dever, e que a escrita, quando usada com responsabilidade, permanece como uma forma legítima de despertamento.

Por hora, deixo aqui meu agradecimento ao José Horta e ao jornal Diário de Caratinga, a toda a sua redação e equipe, pelo espaço, pela confiança, pelo incentivo contínuo e pela valorização da cultura ao longo desses anos, sendo o jornal que veio a dar início a tudo o que ainda estaria por vir. Obrigado pela confiança. Agradeço à minha esposa, que sempre me apoiou e me incentivou. Agradeço também, de forma especial, aos leitores que acompanharam, questionaram, concordaram ou discordaram, pois é no diálogo que a escrita encontra seu verdadeiro sentido.

A todos vocês – e a outras pessoas importantes que irão ser citadas nos próximos artigos – meu muito obrigado!!

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