Ildecir A. Lessa
Advogado
Vai passando o ano de 2019 e em cada esquina surge a pergunta: como vai o Brasil? Pergunta velha e não rara. Uma resposta está sempre presente: a classe política. Isso não é novo. Não é raro descrever o Brasil como um país em que a governabilidade é um problema permanente. É um sistema que está estabelecido. No contexto desse sistema, funciona a máquina do Estado que, antes de tudo beneficia os que nela ocupam cargos. O Congresso não tem agilidade para deliberar com rapidez. O Executivo não conta com as maiorias parlamentares e, depende de deputados que só se preocupam com sua própria sorte, com benefícios paroquiais de retorno eleitoral garantido ou em defender interesses estreitos.
Em cena, surge o Poder Judiciário, com um Supremo Tribunal Federal judicializando tudo. Basta somente observar os resultados dos julgamentos da Corte. Nem o sistema de freios e contra pesos, detém o STF. E aí, povo brasileiro! Onde está a resposta Brasil? Vai uma: existem décadas intermináveis, em que a história se repete. Eleições são vencidas e perdidas, leis são adotadas e revogadas, estrelas nascem e pessoas ilustres vão para o túmulo. Mas, a despeito do caráter prosaico da passagem do tempo, as estrelas – guia da cultura da sociedade e da política- seguem as mesmas. E existem também anos breves em que tudo muda abruptamente. Novas figuras políticas tomam o palco de assalto. Eleitores, clamam por políticas públicas, que até o dia anterior eram impensáveis. Tensões sociais que por muito tempo fervilhavam sob a superfície vêm à tona numa explosão terrível. O sistema de governo que antes parecia inabalável, dá sinais que vai desmoronar. É o tipo de momento que vivemos hoje. Mas como isso acontece? No Brasil vive-se no momento, um panorama de renovação ética. Vitória da ética sobre a corrupção. Marca do pensamento conservador, que ganhou força entre a população. A corrupção sem freios, levou o país a uma crise financeira, sem precedentes, uma vez que os governos passados, de forma especial os governos petistas, instalaram no país uma roubalheira generalizada, numa promoção de contravalores, noções que são contrárias a tudo o que constrói uma civilização. Na essência, o excesso de liberdade destruiu o país, sendo sua maior expressão a crise econômica que afeta cerca de 13 milhões de pessoas com o desemprego.
Tem mais. Em meio ao declínio de quase toda a economia real e o encolhimento do PIB brasileiro, o lucro dos bancos explode e bate recordes ainda superiores aos verificados nos últimos anos. Diz Maria Lucia Fattorelli, auditora fiscal da Receita Federal, que sacrifícios sociais e econômicos para servir ao pagamento de juros e encargos da dívida pública têm sido uma regra no Brasil há décadas. Investigações sobre a natureza dessa dívida revelam que os elevados juros constituem, historicamente, o principal fator responsável por seu crescimento. O mais grave é que tais juros são aplicados sobre dívidas geradas por meio de diversos mecanismos meramente financeiros, sem contrapartida alguma ao país. A política de elevadíssimos juros praticados no Brasil, provoca danos às finanças públicas e à economia como um todo, sendo o principal fator de crescimento da dívida pública brasileira interna, que já supera a R$ 3,58 trilhões. Esse é o drama do sistema brasileiro, que antes de tudo, beneficia a ele mesmo, isto é, os políticos e os funcionários públicos que o administram. Isso, guardadas as proporções de muitos políticos e funcionários públicos, que cumprem longas jornadas de trabalho e sacrificam vantagens particulares em prol do bem público. Estamos assistindo, a polêmica da Reforma da Previdência, nas suas intermináveis discussões, onde os interesses ocultos, colocam uma sombra sobre os interesses da sociedade, como um todo. A crise da educação de base, vai fragmentando a inteligência brasileira, criando verdadeiros cidadãos apáticos a tudo e a todos. A violência criou o império da insegurança na sociedade. O poder das palavras dos governantes, esconde todas essas verdades, ficando apenas no campo da persuasão, sem atacar as verdadeiras causas do caos Brasil.
A pergunta Brasil é: quando sairemos dessas crises, quando teremos menos burocracia, mais transparência, mais prosperidade, mais ética e trabalho sério, com o bem público, rumo a um Brasil melhor?










