FACEBOOK – UM MAU DESNECESSÁRIO

Ildecir A.Lessa

Advogado

É significativo o aumento de ações de indenizações na Justiça brasileira por divulgações impróprias nas redes sociais, presente na frente, o Facebook. O espaço no Facebook tornou um campo de postagens, chulas, vazias, com desmedidas intervenções dos navegadores, em vez de espaço de reflexão e discussão sobre temas relevantes no seio social, pautado pelo respeito às diferenças, o que enriquece o debate, pautado na tese, antítese e síntese. Mas, em vez de contribuir para o diálogo esse veiculo de comunicação, virou uma guerra com descomedimentos e insultos, diversos chegando a um clima sem civilização. Os figurantes desse espaço, guardadas as proporções, não medem as palavras de fel agressivo.

E isso no Brasil, impressiona! Particularmente eu, disse a um amigo advogado: “as redes sociais viraram uma maldição”. Exagero, ainda não sei!  Há um tempo passado, sociólogos espanhóis e italianos registraram que, o Brasil é um laboratório de coexistência entre as diferenças que deveria ser mais bem estudado. Talvez a intolerância que a luta política semeou tenha ofuscado essa realidade. Publica um julgamento condenatório, com uma sentença ou acórdão de um órgão do Judiciário e, logo, o Facebook publica outra condenação, num verdadeiro linchamento, onde a dignidade da pessoa humana não mais existe. Isso é sério. Digno de reflexão. Como não tenho Facebook e não compartilho nessa guerra – minhas informações são de processos judiciais-, busquei uma análise global do tema. Deparei com uma reflexão de, um ex-alto executivo do Facebook, que fez um mea culpa por sua contribuição para o desenvolvimento de ferramentas que, em sua opinião, “estão dilacerando o tecido social”. Trata-se de Chamath Palihapitiya, que trabalhou na empresa de Mark Zuckerberg de 2007 a 2011, da qual chegou a ser vice-presidente de crescimento de usuários, acredita que “os ciclos de retroalimentação de curto prazo impulsionados pela dopamina que criamos estão destruindo o funcionamento da sociedade. Sem discursos civis, sem cooperação, com desinformação, com falsidade”.

Palihapitiya fez essas declarações sobre o vício em redes sociais e seus efeitos em um fórum da Escola de Negócios de Stanford. Esse executivo da comunicação esclareceu que não falava apenas dos Estados Unidos e das campanhas de intoxicação russas no Facebook. “É um problema global, está corroendo as bases fundamentais de como as pessoas se comportam consigo mesmas e com as outras”, enfatizou. Fez uma confissão de peso de consciência, ao dizer que, sente “uma grande culpa” por ter trabalhado no Facebook. Falou sobre como as interações humanas estão sendo limitadas a corações e polegares para cima e como as redes sociais levaram a uma grave falta de “discurso civil”, à desinformação e à falsidade.

O ex-vice-presidente do Facebook alertou que os comportamentos das pessoas estão sendo programados sem que elas percebam. “Agora você tem que decidir o quanto vai renunciar”, acrescentou. Palihapitiya fez ainda referência grave de que, criminosos “podem manipular grandes grupos de pessoas para que façam o que eles querem”. Na linha das críticas de Palihapitiya às redes, se juntam às do primeiro presidente do Facebook, Sean Parker, que criticou a forma como a empresa “explora uma vulnerabilidade da psicologia humana” criando um “ciclo de retroalimentação de validação social”. Além disso, um ex-gerente de produto da empresa, Antonio García-Martínez, acusou o Facebook de mentir sobre sua capacidade de influenciar as pessoas em função dos dados que coleta sobre elas e escreveu um livro, Chaos Monkeys, sobre seu trabalho na empresa.

No último ano vem crescendo a preocupação com o poder do Facebook, seu papel nas eleições norte-americanas e sua capacidade de amplificar notícias falsas. O certo é que esse instrumento tornou mesmo, uma degradação e isso, está sendo aos poucos reconhecido por muitas pessoas, cuja saída é a retirada desse círculo de destruição de mentes. Trata-se, portanto, de um mau desnecessário, cabendo a cada um fazer seu julgamento se, nunca entra, permanece ou faz a retirada. O tempo dirá!