EM NÚMERO, VERSO E PROSA

Tarde fria

Ele a olhava de um jeito diferente, talvez de um jeito especial. Sorria com os olhos enquanto se aproximava. Vinha eufórico, talvez não por que tivera um dia bom, mas por que procurava terminar seu dia de uma forma melhor. Bem, não sei exatamente como havia sido o seu dia até aquele momento, sei apenas do que eu vi: ele a olhava de um jeito diferente. Ela foi escolhida sem saber, por aquele ser que corria com as últimas esperanças de carinho.

A tarde já era quase noite. E o céu da cidade se riscava em tons alaranjados. Arrisco-me a dizer que alguns tons tímidos apareciam lilases. A moça em questão não apreciava essa cena. Tinha uma única concepção do ambiente da cidade: barulhenta, agitada e poluída. Talvez seu trabalho em uma minúscula sala, que a janela concede vista para um beco sem saída, a limitou nas negatividades do seu lugar onde mora a mais de 15 anos.

Ele, entretanto, não carregava as dores, os insultos e as crueldades a que era submetido todos os dias. Escolhera imaginar um momento sempre melhor para terminar seu dia. Resolveu esconder as lágrimas quando negavam-lhe um abraço ou simplesmente um sorriso, dedicara-se a nunca desistir das pessoas que tanto lhe maltratavam, dia após dia.

Quem nunca ouviu os avós dizerem que o céu alaranjado é sinal de frio chegando à noite? Parece que eles têm razão. O fim daquela tarde já mostrava-se fria, o que fez com que a mulher optasse por pegar um táxi. Ela pega o celular, digita um número e aguarda ansiosamente a chegada de seu transporte. Enquanto espera ele se aproxima. Percebendo sua aproximação ela fecha ainda mais seu sorriso e seus olhos destilam raiva diante da sua presença. Ele se retrai um pouco. Parece analisar as consequências da distância entre ela e ele. Mas, a esperança em seu coração ainda não havia morrido.

A moça incomodada olha no relógio prateado que carregava no pulso. Parece que o taxista estava atrasado. Já devia ter chegado há cinco minutos. Negando apreciar a beleza daquele anoitecer ou a presença daquele ser, resolve colocar a culpa no trânsito caótico de sua cidade.

Juntando todas as forças e esperanças ele se reaproxima da moça. Não ia mais pela necessidade de receber atenção, mas, parece ter percebido que aquela moça não estava bem, era ela quem precisava de carinho. Resolveu não ir devagar ao seu encontro. Acelerou os passinhos e abanando o rabo chegou o mais próximo que conseguiu da mulher. O suficiente para levar um pontapé na perna direita e ouvir xingamentos que ele já conhecia, pela frequência em que os ouvia. Não sei se ele pretendia desistir da aproximação, sei que ela não pretendia desistir das ofensas. Ainda bem que após oito minutos de atraso o táxi chegou.

Gabriela de Oliveira Reis

Professora do Núcleo de Ensino Professor João Martins-NEPJM

 

 

 

O QUE É SER MINEIRO??

 

Ser mineiro é ser feliz

Ser mineiro e ir sempre à Matriz

Ser mineiro é debulhar o milho

Ser mineiro é fazer trigo

 

Mineiro é sempre apressado

O trem nunca fica de lado

Cê e uai, as palavras são sempre reduzidas

Mas nunca são esquecidas

 

Ser mineiro é aquecer a alma com canjicão

É fogueira de São João

Ser mineiro é ter amor no coração

Ser mineiro é ter muita paixão

 

Nós chegamos à conclusão

Que ser mineiro é muito

BÃO

 

Ana Clara

Aluna do 5º ano no Núcleo de Ensino Professor João Martins-NEPJM