Em um fim de tarde, cansada e saindo do trabalho, ia andando pelos mesmos caminhos que passo todos os dias, até me deparar com algo inusitado: um cachorro e um gato sozinhos, abandonados em uma rua qualquer.
De cara já imaginei: “O que faz esse indefeso gatinho perto desse grande cachorro? Será que ele não tem medo?”. Fiquei ali olhando aqueles animais por alguns minutos. Dois rivais, um ao lado do outro.
Os minutos foram passando e os animais estavam cada vez mais próximos. Chegou um momento em que os dois começaram a brincar juntos. Talvez a ideia de que eles seriam rivais tenha sido uma invenção do ser humano, ou talvez estar ali sozinhos tenha causado solidão e eles preferiram se unir em uma fase difícil.
Tudo isso me fez pensar: como o ser humano, da mesma espécie, não sabe se unir como os animais, de espécies diferentes? Por que nós não fazemos como aquele cachorro e aquele gato, que quando estavam completamente abandonados, uniram suas forças? O ser humano é muito complicado…
Já era noite quando saí dali. Com um último olhar me despedi daqueles animais ingênuos, que preferiram não enxergar a maldade um no outro.
Maria Alice de Paiva Freitas
Aluna do Núcleo de Ensino Professor João Martins-NEPJM










