Segundo grande parte do povo, a crise hídrica é uma questão meramente climática. Segundo os religiosos, se trata do apocalipse. Mas na verdade, não passa de uma SITUAÇÃO POLÍTICA.
Bom, nosso país detém a maior reserva de água doce DO MUNDO, segundo pesquisas. Cerca de 12% do total mundial está em nosso país (fonte: Jornal Grande Bahia). É instigante saber como um país com a maior reserva de água do mundo, sofre a falta da mesma, enquanto países menores estão bem abastecidas.
Segundo essas pesquisas, temos água para dar e vender… e é isso que realmente ocorre. De acordo com o jornal O GLOBO, o Brasil exporta cerca de 112 trilhões de litros de água doce por ano. Mesmo uma crise d’água iminente sendo prevista a pelos 7 ou 8 anos atrás, nós vendemos um bem nosso que pagamos por ele com todos os impostos e taxas possíveis.
Fora o nosso consumo diário de água, ela também é destinada ao setor agrícola, este, considerado o maior consumidor do líquido, usando incríveis 70% da reserva. Estudos publicados na Gazeta do Povo, revelam que quase metade dessa água é desperdiçada, pelas irrigações mal executadas e falta de controle do agricultor na quantidade usada em lavouras e no processamento dos produtos.
A indústria também é uma grande consumidora. Só em São Paulo, segundo a Folha, a indústria consome 40% do recurso. Apesar de não haver desperdício latente, a política de reuso, que deveria ser mais fiscalizada e cobrada, não é eficiente, dando assim um custo benefício alto para as empresas e governo, e torneira fechada para os domicílios.
E AS POLÍTICAS PÚBLICAS?
Sem contar o consumo exagerado por indústrias, agropecuária e exportação, temos ainda o problema da falta de políticas públicas rigorosas para a preservação de mananciais, rios e lagos.
Estudos divulgados pela revista Exame, apontam que em 30 anos 80% da vegetação da Cantareira foi desmatada. Isso é muito assustador e deprimente, tendo em vista que mananciais são responsáveis por prevenir a seca, pois reabastecem os lençóis freáticos e impedem a erosão do solo e o assoreamento de rios.
Além disso, os rios que ainda correm por nosso país, sofrem do grave problema da poluição. Mais uma vez, a falta de fiscalização e de normas rigorosas são os principais responsáveis por esse problema. Nesse quesito, a indústria e grande parte das populações são os principais vilões, usando nossos rios e lagos como verdadeiros lixões aquáticos.
A falta de tratamento dessas águas já contaminadas, e uma política para evitar a contaminação de novos reservatórios são mais um grande problema socioambiental que contribuem para as nossas dificuldades hídricas.
A CRISE É POLÍTICA
Perceberam uma coisa?
Tudo é consequência da má administração dos nossos governantes. Falta postura contra grandes empresas que exportam nossa água, contra os poderosos do agronegócio que desperdiçam grande parte dela, contra as indústrias que não repõe o necessário. Falta políticas públicas e fiscalização severa para evitar contaminações dos rios, para evitar desmatamentos.
E não pense que a culpa é só de quem detém o poder. A culpa é nossa também, que não exigimos corretamente nossos direitos ao poder público, além é claro de desperdiçamos um recurso que apesar de, teoricamente abundante, é sim, MUITO ESGOTÁVEL.
Paulo Bonfá
Produtor Cultural
luadecera.blogspot.com










