Em seu conhecido “Mito da Caverna”, Platão nos narra um diálogo entre Sócrates e Glauco, na qual Sócrates conta a história de alguns homens que viveram a vida toda dentro de uma caverna, sem ter nenhum contato ou conhecimento sobre o mundo exterior, além das sombras do mundo externo que formavam imagens estranhas no fundo da caverna, tais homens tinham o espaço da caverna como a totalidade de seu mundo, e todos os acontecimentos passados ali como a totalidade da realidade.
Um desses homens é liberto da caverna e passa a ter conhecimento do mundo exterior, da realidade que se estendia para além das fronteiras da escura caverna na qual ele se encontrava antes. Depois de falar das coisas que tal homem viu ao passar um tempo no mundo exterior e enxergar a realidade das coisas fora da caverna, Sócrates diz a seu amigo Glauco para supor que esse homem tenha voltado à caverna, e que os homens lá dentro começassem a discutir sobre o que seriam aquelas sombras que eles viam, então, esse homem que havia ganhado a liberdade, ao dar sua opinião e começasse a falar sobre o que eram aquelas sombras e sobre as coisas que ele viu do lado de fora da caverna ele seria motivo de riso para outros que ali ficaram, de forma que os homens que ficaram na caverna diriam que, ao tomar conhecimento do mundo exterior, o homem que saiu ficara cego, louco, que não valera o esforço do outro de ter saído da caverna.
Os homens da caverna não tinham condição alguma de imaginar como seria a realidade do mundo exterior e, da mesma forma, não tinham a dimensão do tamanho de sua ignorância para com essa realidade, de forma a acharem que tudo o que fugisse da realidade da caverna era motivo de riso, tomado como devaneios e loucura por parte de seu locutor. De forma geral, nossa realidade não é diferente da realidade dos homens da caverna de Platão.
Nossa visão do mundo é limitada por observações que podemos fazer de um vasto universo e por experiências também limitadas. Nossa visão de mundo não inclui coisas que não percebemos, que não experimentamos, que não tomamos conhecimento. Assim, tomamos os limites de nosso próprio campo de visão como os limites do mundo, como diz o filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Segundo Kant, cada um de nós constrói uma versão do mundo a partir de nossas percepções – o mundo fenomênico -. Então, cada um de nós tem visão limitada do mundo, já que as percepções são construídas a partir da informação adquirida por um conjunto limitado de sentidos.
Assim, muito da nossa visão, e de nossos julgamentos sobre o mundo, e até sobre as pessoas, se formam somente a partir das coisas que temos conhecimento, do que vemos, ouvimos, etc., e esquecemos que a nossa ignorância, aquilo que não sabemos sobre as coisas, e sobre as pessoas, é muito maior do que o conhecimento que temos, de maneira que, na grande maioria das vezes, fazemos julgamentos errôneos ao nos embasarmos somente naquilo que sabemos momentaneamente.
Para que possamos fazer julgamentos mais justos sobre o mundo, sobre a realidade, sobre as pessoas, sobre os acontecimentos, e sobre as inúmeras coisas que nos cercam, precisamos expandir nosso conhecimento sobre as coisas, expandir nosso conhecimento de mundo, abandonar nossas cavernas e nos abrir para as possibilidades de se adquirir conhecimento sobre a verdade e a realidade como de fato são, de maneira a não nos mantermos presos e amarrados às cavernas da ignorância, fazendo sempre julgamentos às cegas, sem levar em conta toda a realidade e verdade dos fatos.
Wanderson R. Monteiro
(São Sebastião do Anta)
Wanderson Reginaldo Monteiro
(São Sebastião do Anta – MG)










