Ingredientes: MARILENE e ZIRALDO
Modo do fazer: Misture tudo. Quando virar ZIRALENE – MARIALDO – MARIZIRA – ALDOLENE, está pronto e pode comer MARILENEANDO e ZIRALDEANDO…

A escritora Marilene Godinho estreou na Literatura aos 36 anos, em 1978. O livro “Balão Azul” chegou com capa ilustrada pelo seu amigo Ziraldo e, como se não bastasse, com uma bela apresentação do conterrâneo na qual elogiava a cidade natal (“ele ama Caratinga e sempre desejou vê-la florida e cheia de belezas”) e, claro, enaltecendo a amiga debutante nas Letras. O livro foi lançado com grande festa num sábado, dia 12 de agosto, no salão nobre do Colégio das Carmelitas (hoje Salão Professor Celso Simões Caldeira, na Funec).
Depois, com convite publicado no Pasquim, jornal de grande repercussão à época, Marilene foi ao Rio de Janeiro, a então “nova terra de Ziraldo, desde os 16 anos, quando foi estudar” apresentar a obra. “Ele foi o primeiro a chegar e o último a sair do recinto”, conta Marilene. “e não mediu esforços para me ajudar no início de carreira, mas depois seus compromissos eram tantos que ficou mais difícil a sua participação direta, mas ele nunca nos negou (a caratinguenses) nenhum tipo de ajuda”.
Ziraldo lançou Flicts em 1969, seu primeiro livro infantil e o sucesso foi tanto que transformou a vida do autor. Anos mais tarde, em Concurso de Miss em Caratinga, o escritor estava à frente, participava ativamente e também autografa exemplares do livro.
Daí a ideia de, no Cardápio de hoje, Dia das Crianças, servirmos uma deliciosa Sopa de Letrinhas, misturando na panela (Menino Maluquinho, devolva já essa panela: a mamãe precisa dela!!!) Depois, no prato, nadam feito peixinhos em caldo quente e bem temperado as massinhas ZIRALENE – MARIALDO – MARIZIRA – ALDOLENE…
A bordo Balão Azul
Balão Azul é o título de uma das oito histórias infantis lançadas (as outras são: Margarida – Dondoca, a Formiguinha – A Ovelhinha Branca – Sapeca – Benedito – A Floresta da Felicidade e A Festa de Dona Onça). No conto, cujo nome foi cedido para título do livro, conhecemos a aventura de um balão que sobe aos céus na noite de São João para entregar um bilhete do menino que o confeccionou para Deus, pedindo uma bicicleta de presente. No desenho da capa Ziraldo interpretou o Balão Azul como sendo uma bexiga, pois a Margarida do primeiro texto do livro sonha em ganhar um balão azul (bexiga) que viu numa loja. Assim o Artista viaja…
O cenário mágico, com um céu salpicado de balões acesos é magistralmente descrito por Marilene. Quarenta anos se passaram. A cena de outrora é hoje impensável, depois que as leis ambientais proibiram o lançamento de balões para a prevenção de incêndios, resta o registro, que passa a ser histórico.
As oito histórias renderiam, cada uma, um livro. Após o lançamento a professora Marilene Godinho percorria as escolas da cidade e de alguns distritos, levada para delegada de ensino da época, para apresentar o livro às crianças. “Ontem (28/09), recebendo o Troféu Aplauso 2018, em Governador Valadares, fui abraçada por um rapaz que me disse: ‘Marilene, vim te agradecer, pois aprendi a ler no Balão Azul’. Foi um abraço gostoso, coisa que não tem preço!”

Em 1978 eu estudava a segunda série primária na pequena Escola Estadual “Monsenhor Rocha”, em Santa Bárbara, distrito de Caratinga e não tomei conhecimento do lançamento do livro, de Marilene para o estrelado, impulsionada por Ziraldo. Só bem mais tarde, quando quis viver uma grande aventura e entrei na Biblioteca Municipal Frei Carlos de São José, que começaria a minha viagem de aventuras pelos caminhos de Marilene Godinho. Pulei no “Balão Azul”, dele para “A Avó que Não era Antiga”, entrei em “Uma Canção de Amor para Tiago” e mergulhei no ousado e premiado “Menino Ama Menino” e nunca mais parei de ler livros a mestre, ao longo desses seus quarenta anos de jornada.
Às vésperas de sua grande festa, no dia 25 de agosto, acordamos (Amanda Quintão e eu) a escritora entregando-lhe uma braçada de flores frescas, mas, se eu pudesse, leva-lhe flores todos os dias feito um namorado apaixonado, afinal, ter em “casa” dois grandes mestres como MARILENE e ZIRALDO é luxo para poucos e para abençoados.
Que Ziraldo pule logo da cama (em recuperação de um AVC) e que venha a Caratinga para MARILENEAR, ZIRALDEAR, para fazermos, juntos, a maior SOPA DE LETRINHAS do mundo e distribuirmos para toda a cidade.
Recomendo às crianças que leiam mais! Aos pais que presenteiem os filhos com livros e que leiam juntos. Além dos brinquedos, os livros levam a imaginação do leitor a lugares fantásticos, seja a bordo de balões, seja nas entrelinhas das histórias…
Obrigado, Marilene e Ziraldo, feliz dia, criançada!
Ivanir Corrêa de Faria – Jornalista e escritor.









