Terremotos, aumento da ciência e a restauração de Israel
Continuemos nossa reflexão sobre os sinais que acontecerão antes da proximidade da volta de Jesus. Entendo que muitos acontecimentos recentes em nossa história podem causar ansiedade, insegurança e até medo em muitas pessoas, e minha intenção com essa série é mostrar que, mesmo que a humanidade esteja, horas ou outra, passando por momentos difíceis, tais momentos não são aquilo que Jesus disse que seria os sinais que antecederam à Sua volta. Essa é a terceira parte de nossas reflexão, baseada nas palavras de Jesus expostas no capítulo 24 do evangelho de Mateus. Nos artigos anteriores, abordei o fato de termos confiança no cuidado de Deus, de forma a termos uma fé sem nos alarmar (Parte I), e abordei as passagens do sermão de Jesus onde ele fala sobre guerras, fomes e pestes (Parte II). Nessa terceira parte refletiremos sobre o que Jesus nos fala sobre terremotos, o aumento da ciência, e a restauração da nação de Israel.
Durante a continuidade de seu sermão sobre os sinais sobre Sua volta, Jesus também menciona terremotos em vários lugares. Terremotos antigos destruíram cidades inteiras quando não havia qualquer infraestrutura de socorro. A tecnologia moderna amplia a percepção de frequência, mas estatisticamente não há evidência de crescimento exponencial fora do padrão histórico. Eventos como o terremoto de Lisboa, em 1755, ou o de Shaanxi, em 1556, foram devastadores em proporção muito maior do que a maioria dos eventos atuais.
Com isso, se já houve pestes mais letais, fomes mais devastadoras e desastres mais destrutivos, então não estamos diante daquilo que Jesus chamou de incomparável, pois a história é testemunha de acontecimentos piores do que os acontecimentos atuais.
Jesus menciona ainda ódio, traição e morte dos fiéis. O livro de Atos registra perseguições severas. A Igreja primitiva enfrentou perseguições imperiais. Cristãos foram lançados às feras. Ao longo dos séculos, cristãos foram martirizados sob impérios e regimes totalitários, e sistemas ideológicos hostis assassinaram milhões de cristãos. O próprio Paulo advertiu, em 2 Timóteo 3:1, que nos últimos dias sobreviriam tempos trabalhosos. Mas tempos trabalhosos já marcaram inúmeras gerações. Sim, há perseguição hoje. Mas ainda não há um sistema global unificado de ódio absoluto contra todos os cristãos em todas as nações simultaneamente. A perseguição, por mais dolorosa que seja, não é exclusividade do fim; é parte da vocação histórica da Igreja.
Daniel 12:4 fala do aumento da ciência. É inegável que vivemos uma explosão tecnológica. Contudo, cada revolução científica anterior também foi vista como sinal escatológico por seus contemporâneos. O avanço do conhecimento, isoladamente, não constitui prova conclusiva da proximidade da grande tribulação e da volta de Jesus. O mesmo se aplica à propagação do ocultismo e à cegueira espiritual descrita em 2 Coríntios 4:4. A atuação do “deus deste século” sempre esteve presente. A apostasia, igualmente, já era denunciada no Novo Testamento. João escreveu que muitos anticristos haviam surgido. A frieza espiritual, retratada simbolicamente na igreja morna de Apocalipse 3:15–16, não é fenômeno exclusivo do século XXI. O esfriamento espiritual é cíclico na história bíblica. O período dos Juízes, a decadência de Israel antes do exílio, a corrupção do Império Romano, a crise moral pré-Reforma — todos foram períodos de profunda degeneração. Contudo, a apostasia final descrita por Paulo, em 2 Tessalonicenses 2, envolve uma manifestação global do “homem do pecado”, precedida por grande engano.
A restauração de Israel como nação, em 1948, é frequentemente associada à leitura profética contemporânea. Trata-se de um evento histórico significativo. Contudo, mesmo reconhecendo sua relevância geopolítica, não podemos ignorar que o próprio discurso de Jesus inclui elementos ainda não plenamente realizados em sua totalidade escatológica, como a manifestação explícita do anticristo no templo, conforme Daniel 12:11 e Mateus 24:15, e os sinais cósmicos descritos em Mateus 24:29 — “o sol escurecerá, a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu.” Esses sinais transcendem metáforas políticas ordinárias. São descrições de abalo cósmico reais, coisas que, quando aconteceram não passarão despercebidas por ninguém, de forma que, enquanto não presenciamos tais conjuntos de acontecimentos, ainda não estamos vivenciando o período que antecede à Sua vinda.








