Conto escrito pela aluna Thalia Bárbara
Era uma densa segunda-feira, por volta de dez horas da noite. Por ser verão, e tratando-se de uma cidade tropical, chovia fortemente. Saía do trabalho, e trazia nos braços alguns materiais que sempre levava para estudar escondida no depósito, no banheiro e onde mais conseguisse, entre intervalos de um movimento caótico de loja.
Infelizmente, naquele dia havia esquecido o guarda-chuva. Carregava, além dos meus materiais, algumas apostilas emprestadas, o que me obrigava ainda mais a manter aqueles papéis seguros. Dirigindo-me ao depósito, revirei algumas caixas em busca de algo que protegesse meu auxílio nos estudos. Até que encontrei.
Após envolver os materiais no plástico, lancei-me no temporal a fim de chegar até minha casa, situada no outro lado da cidade. Andava rápido e buscava passar por debaixo dos lugares que cobriam as calçadas, o que não adiantava muito, já que o vento me trazia de encontro a chuva.
Quanto mais minhas pernas trabalhavam para que meu propósito fosse concluído, mais meu coração era forçado a acompanhar o ritmo, pois, eu precisava de sangue rico em oxigênio, e esta função era exclusiva dele.
As batidas de meu músculo tornavam-se a cada segundo mais frenéticas, sentia-o tão sobrecarregado que parecia querer saltar para fora de mim. E, para piorar o que já não estava bom, a água começava a invadir o plástico e a atingir os materiais emprestados, o que me fez apertar o passo já firme.
Com demorados vinte minutos cheguei até a parte mais perigosa do trajeto: a rua de minha residência. Notei que algo estava acontecendo. Algumas pessoas se movimentavam de forma exaltada em um canto da rua. Apesar disso, continuei andando, nada do que acontecia naquele lugar me importava naquele momento. Pensava apenas em chegar em casa, em secar aqueles materiais e em acalmar meu miocárdio.
Tudo o que aconteceu em seguida foi muito rápido. Não vi a briga. Não vi a arma. Não vi ninguém! Apertei o passo ainda mais e, senti algo como brasa atravessar e paralisar de uma só vez meu coração. Foi rápido e infernal. Ele, o âmago de meu corpo, que segundos antes estava tão rápido, simplesmente parou. Quem estudou a Primeira Lei de Newton, Física, sabe o quão grave e doloroso isso pode ser.
Ouvi um grito, creio que era de uma mulher. Bom, o material se foi, assim como meu coração e finalmente… eu. Minhas segundas-feiras eram ciclos de textos, mas essa foi diferente: teve o começo, o meio e trouxe o definitivo fim.
Thalia Bárbara Gomes Gonçalves
Aluna do Núcleo de Ensino Professor João Martins –NEPJM










