Margareth Maciel de Almeida Santos
Doutora em Sociologia Política
Membro do Instituto Nacional dos Advogados do Brasil

Doutora em Sociologia Política
Membro do Instituto Nacional dos Advogados do Brasil – IAB
ÀS MÃES QUE O MUNDO NEM SEMPRE ENXERGA
Neste Dia das Mães, mais do que flores, homenagens ou palavras passageiras, é necessário voltar o olhar para aquelas mães que muitas vezes permanecem invisíveis diante da sociedade: mães cansadas, silenciadas, excluídas, pobres, adoecidas pela dor da sobrevivência, mas que continuam avançando todos os dias movidas apenas pelo amor aos seus filhos.
Ao contemplarmos Maria, a Mãe de Deus e nossa Mãe espiritual, percebemos que Deus escolheu exatamente a simplicidade, a humildade e o silêncio de uma mulher para transformar a história da humanidade. Maria não foi exaltada pelo poder humano, pela riqueza ou pelos privilégios. Sua grandeza nasceu da fé, da coragem e da capacidade de permanecer firme mesmo diante do sofrimento.
Mas o que existe em Maria? Talvez aí esteja um dos grandes mistérios de Deus.
Maria encantou o coração de Deus pela pureza de sua alma, pela obediência absoluta à vontade divina e pela humildade de quem jamais buscou grandeza para si. E foi justamente a ela que Deus confiou Seu único Filho, Jesus Cristo, o único Salvador do mundo, para que fosse gerado em seu ventre pela ação do Espírito Santo.
Há em Maria um mistério que ultrapassa a compreensão humana: uma mulher silenciosa, simples e escondida aos olhos do mundo, mas escolhida para carregar em si o próprio Filho de Deus.
JESUS NOS DÁ MARIA COMO NOSSA MÃE
No momento supremo da cruz, enquanto era crucificado, Jesus entregou Sua mãe à humanidade. Olhando para o discípulo amado, disse:
“Eis aí tua mãe.”
E, olhando para Maria:
“Eis aí teus filhos.”
Naquele instante, Maria tornou-se mãe espiritual de todos os homens.
FORMOSA COMO A LUA, BRILHANTE COMO O SOL
Talvez por isso a imagem bíblica do Apocalipse continue tão atual:
“Uma mulher vestida de sol, tendo a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de estrelas.”
Essa mulher representa também tantas mães que enfrentam diariamente seus próprios combates invisíveis. Mães que lutam contra a fome, o abandono, a violência, a solidão, a dependência química dentro de casa, a ausência de oportunidades e o peso cruel das desigualdades sociais.
São mães que muitas vezes não possuem ouro, coroas ou reconhecimento. Mas carregam algo infinitamente maior: a capacidade de resistir.
Resistem quando faltam recursos.
Resistem quando faltam oportunidades.
Resistem quando lhes falta apoio.
Resistem mesmo quando lhes falta esperança.
E, ainda assim, continuam amando.
A tradição cristã também contempla Maria como aquela que combate espiritualmente o mal. Desde o Gênesis, a promessa divina anuncia a mulher cuja descendência pisaria a cabeça da serpente. Por isso, a espiritualidade cristã vê em Maria uma mulher revestida pela graça de Deus, acompanhada pelas milícias celestes e sustentada pela força divina na luta contra as trevas.
Não se trata de poder humano ou violência, mas da força espiritual da fé, da oração, da obediência e da santidade.
Também para essas mães esquecidas pela sociedade ecoa a antiga passagem do Cântico dos Cânticos:
“Quem é esta que avança como a aurora, formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército em ordem de batalha?”
Porque há algo profundamente poderoso em uma mãe que não desiste de seus filhos, mesmo quando o mundo inteiro parece desistir dela.
DIA DAS MÃES
Neste Dia das Mães, a homenagem mais necessária talvez seja justamente para aquelas que a sociedade raramente aplaude: as mães das periferias, das filas dos hospitais, do transporte lotado, das madrugadas de trabalho, das lágrimas escondidas e das batalhas silenciosas.
Mães que criam filhos sozinhas.
Mães que enfrentam o preconceito.
Mães que convivem com a dor da exclusão.
Mães que, mesmo feridas, continuam sendo abrigo.
Assim como Maria conduziu a humanidade a Jesus Cristo através do amor, também essas mulheres sustentam o mundo diariamente sem que, muitas vezes, sejam reconhecidas.
Que neste Dia das Mães não celebremos apenas a maternidade idealizada, mas principalmente a maternidade real: humana, sofrida, corajosa e profundamente digna.
Porque existem mães que não possuem coroas visíveis, mas carregam na alma a grandeza das mulheres que lutam todos os dias para manter viva a esperança.
E talvez sejam justamente essas as mais parecidas com Maria.
BREVIÁRIO JULIMARIANO
Recebi recentemente uma graça muito especial ao visitar Manhumirim: fui presenteada com um Breviário Julimariano, que desde então permanece na cabeceira da minha cama como sinal de fé, devoção e companhia espiritual diária.
Nele encontrei palavras profundamente belas de Júlio Maria de Lombarde, sacerdote que dedicou sua vida ao amor e à propagação da devoção a Maria.
Deixo aqui, com muito carinho, um pequeno trecho para compartilhar com vocês a grandeza e a maravilha com que Padre Júlio descreve Maria em sua obra Por que amo Maria (pp. 382-385).
Que essa leitura também toque os corações e nos aproxime ainda mais daquela que sempre nos conduz a Jesus Cristo.
08 de maio
O AMOR DE MÃE
“Ser mãe é não somente ter dado a vida a alguém, mas também amá-lo com o amor terno e apaixonado que não conhece espaço nem tempo, e que jamais se deixa abater. Ela espera e perdoa sempre. Eis a mãe, e eis também Maria!
Maria nos ama porque é a Mãe de Deus. Mas ela nos ama também porque é nossa mãe e conserva sempre em seu coração de mãe, mesmo para os culpados […] Como o pai do filho pródigo, ela jamais fecha o coração e não se importa com a hora tardia da volta, seja qual for o estado em que o pecado deixar o filho pródigo, pois a mãe conserva sempre para o culpado um sorriso de ternura e uma palavra de perdão […]
Viver unido a Maria. Ter continuamente o olhar virginal fixo sobre nós, cercar-se desta atmosfera de modéstia, de bondade e de prece, que emana da Virgem Maria como emanam do sol a luz e o calor — que vida, que plenitude de vida!”
Salve Maria!
Salve a Mãe de Deus e nossa!
Feliz Dia das Mães!








