Morena com os filhos Maria Eugênia, 15 anos; Gabriel, 12 anos; e João, 27
“O que posso deixar para os meus filhos é o amor e a união deles”
CARATINGA- Entre a correria da rotina, as tarefas da escola, os finais de semana em família e os desafios da vida profissional. Morena Gomes Pena construiu a maternidade do jeito que sempre sonhou: cercada de amor, união e filhos. Mãe de João, 27 anos; Maria Eugênia, 15 anos e Gabriel, 12 anos, ela fala com emoção sobre a experiência de criar uma família formada por laços afetivos — e reforça que o amor nunca fez distinção entre eles.
A história de Morena com a maternidade começou cedo. Muito cedo. Aos 17 anos, viu a vida mudar completamente após a morte da mãe. O irmão caçula, João, tinha apenas três anos de idade. Em meio ao luto, nasceu também um sentimento de responsabilidade. “Eu brinco que fui mãe muito cedo. Quando minha mãe morreu, meu pai ficou viúvo com três meninas e um bebê. E eu senti que precisava ajudar a cuidar do João”, relembra.
Mesmo sem obrigação formal, ela abraçou o papel de cuidadora do irmão e levou essa experiência para a vida adulta. Quando começou o relacionamento com o marido, Alfredo Sousa Pena, ele já sabia da forte ligação dela com João. Pouco tempo depois do casamento, veio a primeira gravidez. “Eu sempre tive o desejo de constituir família. Com seis meses de casada, engravidei da Maria Eugênia”.
Mas o sonho da maternidade ainda não estava completo.
O sonho da adoção
Morena conta que tanto ela quanto o marido já desejavam a adoção antes mesmo do nascimento da filha. O casal entrou na fila de adoção e permaneceu ali durante cinco anos.
“Eu falo que tinha que ser o Gabriel. Ele chegou exatamente com cinco anos, o mesmo tempo que esperamos na fila”.
Gabriel veio para completar a família que ela tanto idealizou. Morena destaca que crescer cercada por exemplos de adoção influenciou diretamente sua decisão. “Eu venho de uma família de filhos adotivos. Tenho irmãs, primas. Então, isso sempre esteve dentro de mim. Eu queria construir minha família assim”.
Ao falar sobre João, Morena emociona-se ao reconhecer que foi ele quem lhe ensinou a ser mãe. “O João foi minha experiência. Com a Maria foi mais fácil, com o Gabriel também, porque eu já tinha aprendido muito”.
O legado de uma mãe
A referência materna também segue viva em sua memória. Morena perdeu a mãe ainda jovem, aos 42 anos, idade que hoje ela mesma tem. “Minha mãe foi espetacular. Ela e meu pai nos prepararam para a partida dela. Hoje, quando penso que tenho a mesma idade que ela tinha, minha maior preocupação é ter saúde para acompanhar o crescimento dos meus filhos”.
Entre os sonhos, ela já se imagina como avó presente. “Quero ver meus netos, quero cuidar deles, quero poder dizer: ‘Pode sair que a vovó cuida’”.
Meninos e menina: experiências diferentes
Mãe de dois meninos e uma menina, Morena destaca. “Os meninos são mais simples, menos exigentes. Já a Maria Eugênia tem opinião forte, questiona, participa de tudo”.
E isso, para ela, é motivo de orgulho. Morena acredita na criação de meninas fortes e independentes. “Eu ensino ela a ter opinião própria, a não abaixar a cabeça. Quero que ela consiga caminhar sozinha lá na frente”.
Apesar das diferenças de personalidade, a convivência entre os irmãos é marcada pela parceria. “Eles brincam, brigam, combinam. Aqui em casa a gente faz até votação para decidir os passeios”.
A importância da família
Morena acredita que os momentos em família fazem diferença na formação dos filhos, especialmente em tempos de rotinas tão aceleradas. “Hoje está todo mundo muito corrido. Então, quando temos tempo juntos, dedicamos 100% aos meninos”.
Os finais de semana em casa, as viagens e os programas simples fortalecem os laços familiares e ajudam a transmitir valores importantes. “Queremos que eles entendam o sentido da família e a importância de estar junto”.
Participativa, ela acompanha de perto cada etapa da vida dos filhos: reuniões escolares, tarefas, aniversários e rotina diária. “Se a gente não acompanha, fica muito mais difícil formar cidadãos íntegros, respeitosos e conscientes”.
Novos desafios
Recentemente, Morena decidiu encarar um novo desafio profissional: voltar às salas de aula. Antes de aceitar o convite para lecionar à noite, conversou com toda a família. “A primeira conversa foi com os meninos. Eu precisava ouvir deles como seria ficar sem a mãe em casa durante a noite”.
Gabriel, o mais novo, sente mais a ausência. “Ele fala: ‘Mãe, de novo você vai para aula hoje? ’”. Ainda assim, Morena acredita que o exemplo também faz parte da educação dos filhos. “Quero que eles vejam em mim uma mãe destemida, dedicada e sem medo de desafios”.
“Se dependesse do coração…”
Apesar da rotina intensa, Morena admite que ainda teria mais filhos. “Se fosse olhar só o coração, eu teria mais, sim”.
Ela conta que deixar a fila de adoção foi uma decisão difícil para ela, mas necessária diante da realidade financeira da família. “Hoje eu teria que trocar carro, mudar de casa… Foi uma decisão racional”.
Mesmo assim, o desejo permanece. “Eu venho de uma família grande. Gosto de casa cheia, de movimento, de família unida”.
Uma mensagem de mãe para filhos
Ao final da entrevista, Morena deixou uma mensagem para João, Maria Eugênia e Gabriel: “Quero que vocês cresçam unidos, cuidando uns dos outros. O caminho e os ensinamentos estamos dando. Porque o mais importante de uma família é ela permanecer unida, independentemente de qualquer coisa. O que posso deixar para vocês é o amor e a união”.
Família sempre reunida: João, Alfredo, Maria Eugênia, Gabriel e Morena








