SERIAL KILLER

Presidiário que matou detento caratinguense de forma cruel em Muriaé é indiciado por outro crime bárbaro

DA REDAÇÃO — A Polícia Civil de Minas Gerais, por meio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Muriaé, concluiu duas investigações que expõem um cenário de violência extrema dentro do sistema prisional da região. Os inquéritos apontam para a atuação de um mesmo detento em crimes distintos, ambos marcados por requintes de crueldade, levando a autoridade policial a classificá-lo como um possível “serial killer”.
O caso mais recente envolve o assassinato de Deylon Moura Santos, de 28 anos, ocorrido no interior da Penitenciária Doutor Manoel Martins Lisboa Júnior. Partes do corpo da vítima foram encontradas por policiais penais na manhã do dia 2 de abril de 2026. O companheiro de cela confessou o crime, alegando ter agido após ameaças durante uma discussão.
Segundo a investigação, o autor surpreendeu a vítima enquanto ela dormia, iniciando a ação com asfixia. Em seguida, utilizou uma faca artesanal — improvisada a partir de um pedaço de chapa — para esquartejar o corpo. O crime teria sido executado ao longo de toda a noite anterior, culminando na decapitação da vítima e na retirada de partes como língua e olhos.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Tayrony Espíndola, o comportamento do agressor chama atenção pela frieza e pelo detalhamento da ação criminosa. “Trata-se de um indivíduo extremamente articulado e sorrateiro, que aparentou ter prazer no que fez. Em um primeiro momento, utilizou discurso de ódio para justificar um crime anterior. Agora, alegou uma suposta ameaça por parte da única pessoa com quem convivia dentro da unidade prisional”, afirmou.
A Polícia Civil também apurou que autor e vítima já haviam sido investigados juntos pela morte do detento caratinguense Douglas Cristóvão Fernandes em janeiro deste ano, igualmente marcada por violência extrema. Após esse episódio, os dois passaram a permanecer isolados, mantendo contato apenas entre si.

Crime anterior teve vítima de Caratinga

Em outro inquérito concluído pela DHPP, o mesmo detento foi apontado como principal autor do homicídio de Douglas Cristóvão Fernandes, de 38 anos, natural de Caratinga, morto no dia 12 de janeiro dentro da mesma penitenciária.
De acordo com as investigações, Douglas foi agredido dentro da cela enquanto outros presos estavam no banho de sol. Ele foi asfixiado com uma corda artesanal e, posteriormente, teve mãos e pés decepados com o uso de lâmina de barbear. Exames periciais ainda buscam esclarecer se as mutilações ocorreram antes ou após a morte.
Neste caso, um segundo detento também foi indiciado por participação direta, tendo auxiliado na contenção da vítima durante a execução do crime.
A motivação, segundo o delegado, estaria ligada a uma combinação de desavenças internas e ao ambiente de tensão dentro da unidade prisional. O autor alegou sofrer ameaças e perseguições de integrantes de facção criminosa, afirmando ter interpretado a possível reaproximação da vítima com o grupo como risco à própria vida.
“Ele conseguiu imobilizar a vítima, asfixiá-la e, após a morte, passou a mutilar o corpo como forma de enviar um recado. Trata-se de alguém com histórico violento, com registros de homicídios consumados e tentados”, detalhou Espíndola.

Indiciamento e desdobramentos

Nos dois casos, o investigado foi indiciado por homicídio triplamente qualificado, com agravantes como motivo fútil, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas. As penas, somadas, podem ultrapassar décadas de reclusão, considerando também sua extensa ficha criminal, que já se aproxima de 100 anos de condenações.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que o detento permanece custodiado na unidade prisional. Os inquéritos foram encaminhados ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), responsável por analisar as provas e decidir sobre o oferecimento de denúncia à Justiça.
Para a Polícia Civil, a conclusão das investigações representa um passo fundamental na responsabilização dos envolvidos e lança luz sobre a gravidade dos episódios registrados no sistema prisional da região — crimes que, pela brutalidade e recorrência, desafiam os limites da compreensão e reforçam o alerta sobre a complexidade da violência intramuros.
Com informações Rádio Muriaé

Foto: Guia Muriaé

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