INHAPIM – Um grave acidente registrado na BR-116, no dia 30 de novembro de 2025, no trecho entre Caratinga e Ubaporanga, terminou com a morte de Kassia Kathleen Pereira dos Anjos, 30 anos, e outra gravemente ferida, lutando pela vida. A colisão ocorreu na região conhecida como ‘Reta da Santinha’, ponto de intenso fluxo de veículos e frequentemente citado por motoristas como área de alto risco.
A sobrevivente é Maria Vitória Ferreira dos Santos, de 19 anos, que reside em Inhapim. Ela teve a perna amputada ainda no local do acidente, em decorrência da violência do impacto. Meses após a tragédia, a jovem enfrenta uma rotina de reabilitação física e emocional e agora busca apoio para conseguir adquirir uma prótese, condição fundamental para retomar a mobilidade, os estudos e o trabalho.
Segundo Maria Vitória, tudo começou de forma inesperada. Ela relata que havia combinado de ir à igreja com o ex-companheiro, Guilherme, quando foi surpreendida por um pedido de ajuda feito por Kassia, amiga que estava com ela naquele momento.
— “Eu já estava arrumada para ir para a igreja. A Cássia me chamou desesperada, pedindo para levá-la a Caratinga, porque o namorado dela, o Luciano, tinha sofrido um acidente. Ele tinha caído perto do primeiro radar, saindo de São Domingos para Inhapim, e pediu que levássemos um carregador para ele”, contou.
Diante da situação, Maria Vitória avisou ao ex-companheiro que não conseguiria ir à igreja naquele momento e seguiu viagem. Ela lembra que o grupo chegou a parar na praça de Inhapim, onde conversaram com um amigo de Luciano, antes de seguirem em direção a Caratinga.
— “Depois disso, eu não consigo lembrar de mais nada”, relata.
Colisão violenta e dinâmica do acidente
De acordo com o que foi apurado posteriormente pela perícia e repassado à jovem, o veículo em que elas estavam seguia atrás de uma carreta, próximo à linha branca da pista, quando uma caminhonete 4×4 tentou realizar uma ultrapassagem.
— “A caminhonete tentou ultrapassar a carreta, não conseguiu e, quando voltou de uma vez, bateu no nosso carro pelo lado esquerdo”, explica Maria Vitória.
O impacto foi extremamente violento. Segundo ela, a colisão provocou a destruição da parte frontal da caminhonete e lançou a moto das jovens contra a lateral da via, atingindo ainda uma árvore.
— “Foi uma pancada muito forte. Eu bati na lateral, no vidro, depois bati na árvore. Quebrou tudo”, relatou.
Amputação ainda no local
Maria Vitória afirma que, devido à gravidade dos ferimentos, a perda da perna aconteceu ainda no local do acidente.
— “Dizem que, naquele momento, minha perna já estava praticamente perdida. Ficou presa só por um pedaço de pele. Parte da coxa e da panturrilha ficaram no local do acidente”, contou.
Fotos feitas após a colisão mostram que a perna havia virado completamente, sem circulação sanguínea. Além da amputação, a jovem sofreu múltiplas lesões: fratura grave na bacia, ferimentos profundos na virilha, lesões no braço, no pulso e no cotovelo, além de traumas no rosto.
— “A virilha abriu, a bacia quebrou. Foi preciso colocar placas, pinos e fazer a reconstrução da bacia”, explicou.
Socorro e internação
Maria Vitória não se recorda do resgate, mas foi informada de que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) prestou os primeiros socorros ainda na rodovia. Pessoas que estavam no local relataram que um rapaz conversava com ela o tempo todo, tentando mantê-la consciente.
— “Eu lembro que estava no chão e falava para me tirarem dali, porque tinha alguma coisa machucando embaixo de mim. Era a minha própria perna, que tinha virado para trás”, disse.
Ela foi encaminhada para atendimento médico em Caratinga, onde os profissionais tentaram, inicialmente, salvar o membro.
— “O médico tentou colocar a perna no lugar, mas não tinha circulação. A artéria tinha sido cortada, só jorrava sangue. Meu pé já estava roxo. Não tinha mais condição”, relatou.
Morte da amiga e notícia tardia
Além de enfrentar a amputação e as cirurgias, Maria Vitória passou 15 dias internada na UTI. Durante esse período, sua família optou por não contar que Cássia havia morrido no acidente, devido ao estado clínico delicado da jovem.
— “Minha família não teve coragem de contar. Foi o médico que me falou, quando eu ainda estava muito debilitada”, afirmou.
A notícia, segundo ela, marcou profundamente o processo de recuperação.
Recomeço e pedido de ajuda
Hoje, Maria Vitória enfrenta um longo caminho de reabilitação. Sem a prótese, ela encontra dificuldades para retomar atividades básicas do dia a dia e planejar o futuro.
— “Eu quero voltar a andar, voltar a trabalhar, fazer uma faculdade e reconstruir meu sonho”, declarou.
Para isso, a jovem iniciou uma campanha solidária e pede ajuda da comunidade para arrecadar recursos destinados à compra da prótese.
As contribuições podem ser feitas por meio do Pix: mariavitoria4669@gmail.com.
Alerta para segurança na rodovia
O acidente reacende o debate sobre a segurança na BR-116, especialmente em trechos como a Reta da Santinha, frequentemente apontados por motoristas como locais perigosos devido ao alto fluxo de veículos pesados, tentativas de ultrapassagem e histórico de acidentes graves.






