INHAPIM – O julgamento de Wallace de Souza, acusado de provocar a morte de um casal em um acidente na BR-116, foi adiado para o dia 12 de maio após a defesa abandonar o plenário do Tribunal do Júri na manhã desta segunda-feira (27), no fórum da comarca de Inhapim. Diante da situação, o juiz decretou a prisão preventiva do réu ainda durante a sessão.
A interrupção ocorreu logo após o início dos trabalhos. Advogados recém-constituídos informaram que haviam sido contratados na última sexta-feira (24) e alegaram não ter condições técnicas de assumir a defesa em um processo considerado complexo, que tramita sob segredo de Justiça e envolve forte repercussão social.
“Nós fomos contratados na última sexta-feira para patrocinar a defesa. É um processo complexo, de grande repercussão. Informamos ao juiz que não tínhamos condições técnicas de realizar esse júri neste momento”, afirmou o advogado Abraão.
Segundo ele, houve pedido prévio de adiamento, que foi negado. Diante disso, a defesa optou por abandonar o plenário — medida classificada como extrema. “Não podemos anuir com um julgamento injusto. A Justiça não pode ter pressa, ela tem que ser justa”, declarou.
Ministério Público aponta tentativa de obstrução
Após a saída da defesa, o Ministério Público requereu a prisão preventiva do acusado, pedido que foi acolhido pelo magistrado em plenário. Para os promotores Jonas Junio Linhares Costa Monteiro e Igor Heringer Chamon Rodrigues, a atitude impediu deliberadamente a continuidade do julgamento.
“Uma vez que o advogado abandona o plenário, o sistema não permite o prosseguimento da sessão. Isso acaba inviabilizando o julgamento e gera prejuízos à Justiça”, afirmou o promotor Jonas.
Os representantes do Ministério Público destacaram que o caso já vinha sendo marcado por sucessivas trocas de advogados e atrasos processuais, o que, segundo eles, evidencia uma tentativa reiterada de postergar o desfecho.
“A ampla defesa foi garantida em todos os momentos, mas ela não é uma carta em branco para impedir o andamento do processo. A sociedade também tem o direito de ver o caso julgado”, pontuou o promotor Igor.
Ainda de acordo com os promotores, a realização de um júri envolve alto custo operacional, com mobilização de jurados, testemunhas, servidores e forças de segurança, o que amplia o impacto de um adiamento inesperado.
O Ministério Público também informou que deverá comunicar o caso à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para avaliação da conduta profissional, além de acompanhar a apuração dos custos gerados com a sessão interrompida.
Novo julgamento já tem data
Com o adiamento, o júri foi redesignado para o dia 12 de maio. O réu permanecerá preso até a nova sessão, que deverá contar com defensor dativo nomeado pela Justiça, garantindo a continuidade do processo.
A expectativa é de que o julgamento ocorra sem novos impedimentos.
O caso
Wallace de Souza responde por dois homicídios qualificados pela morte de Iran Garcia Ferreira, de 22 anos, e Luana Aparecida Machado Rabelo, de 21 — que estava grávida — em um acidente ocorrido no dia 17 de maio de 2024, no km 505 da BR-116, em Inhapim.
De acordo com a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais, o acusado conduzia uma caminhonete sob efeito de álcool, em alta velocidade e com a capacidade psicomotora comprometida. Ao tentar uma ultrapassagem, ele teria invadido a contramão e colidido frontalmente com a motocicleta ocupada pelo casal.
Com o impacto, as vítimas foram arremessadas e morreram ainda no local, em decorrência de múltiplas lesões.
A acusação sustenta que o réu assumiu o risco de matar — caracterizando dolo eventual — ao dirigir em tais condições, além de utilizar meio que gerou perigo comum e dificultou a defesa das vítimas.
Repercussão e desdobramentos
O caso gerou forte comoção na região e mobilizou familiares das vítimas, que acompanharam a sessão no fórum. Segundo o Ministério Público, o ambiente se manteve tranquilo, sem registros de incidentes.
Apesar da interrupção, os promotores avaliam que a decretação da prisão preventiva representa uma resposta institucional diante do ocorrido.
“Não é possível admitir manobras que impeçam o julgamento. A Justiça precisa ser efetiva e garantir que o processo avance”, destacaram.









