IPATINGA – Um detento de 24 anos foi encontrado morto dentro de uma cela do Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp), no bairro Veneza, em Ipatinga, na noite de quarta-feira (7). Trata-se de Leonardo Victor Citadino da Costa, condenado pelo assassinato das irmãs Elisângela Ribeiro da Cruz e Camila Keila Ribeiro da Cruz, crime que gerou forte comoção no Vale do Aço pela extrema violência empregada. As vítimas eram de Ubaporanga e foram sepultadas no cemitério daquela cidade.
Leonardo cumpria pena no sistema prisional mineiro e havia sido sentenciado a 105 anos de prisão pelo duplo homicídio ocorrido em janeiro de 2024. Ele foi encontrado morto dentro da cela 2 do Bloco C da unidade prisional.
Morte dentro da cela
Conforme informações apuradas junto a fonte ligada à Polícia Militar, durante ronda na muralha do Ceresp, policiais penais foram acionados por detentos que informaram haver um preso desacordado. Ao entrarem na ala, os agentes localizaram Leonardo caído próximo ao banheiro, com ferimentos graves na cabeça e hematomas no pescoço, já inconsciente e sem responder a estímulos.
Seguindo os protocolos de segurança, os demais custodiados foram retirados da cela e encaminhados ao pátio do bloco para o isolamento do local. Ainda segundo o relato, dois internos, ambos de 25 anos, assumiram espontaneamente a autoria do crime, alegando que a morte ocorreu após uma luta corporal. Outros sete presos estavam na cela no momento do ocorrido.
A coordenação da unidade, o diretor de Segurança e o diretor-geral do Ceresp foram comunicados e compareceram ao local. A perícia técnica da Polícia Civil realizou os trabalhos e, após a liberação, o corpo foi removido ao Posto Médico-Legal (PML) de Ipatinga. O caso será investigado pela Polícia Civil.
Estatística
Este foi o primeiro homicídio registrado em Ipatinga em 2026. Em 2025, o município contabilizou 26 assassinatos, número significativamente menor que o registrado em 2024, quando houve 49 homicídios, conforme dados do banco estatístico do jornal Diário do Aço.
O que diz a Sejusp
Procurada, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que todas as providências administrativas foram adotadas. Segue a nota na íntegra:
“Informamos que todas as providências administrativas relativas ao óbito de Leonardo Victor Citadino da Costa, de 24 anos, foram tomadas pela direção do Ceresp de Ipatinga. Nesta quinta-feira (8/1), policiais penais foram acionados por detentos de uma das celas, na qual o preso estaria desacordado. Ao chegarem ao local, encontraram o detento já sem os sinais vitais, caído no banheiro da cela. Imediatamente o Samu foi acionado, cujos profissionais confirmaram o óbito.
Leonardo Victor havia sido admitido no Ceresp Ipatinga em 6/2/2024 e possuía passagens pelo sistema prisional desde de junho de 2020.
As circunstâncias e causas do ocorrido serão apuradas administrativamente pela direção da unidade prisional, por meio de um procedimento interno já instaurado. No âmbito criminal, as investigações estão sob responsabilidade da Polícia Civil”.
Julgamento e condenações
Dois homens foram condenados em 4 de novembro de 2025 pelo assassinato das irmãs Elisângela e Camila, ocorrido em 5 de janeiro de 2024, no bairro Chácaras Madalenas, em Ipatinga. O julgamento foi realizado pelo Tribunal do Júri, atendendo à denúncia do Ministério Público de Minas Gerais.
Miguel Alves Nascimento, que tinha 18 anos à época do crime, foi condenado a 90 anos e 8 meses de prisão. Já Leonardo Victor Citadino da Costa, então com 22 anos, recebeu a pena de 105 anos de reclusão.
Na ocasião, o promotor de Justiça Igor Citeli informou que o Ministério Público pediu a condenação dos réus por duplo homicídio consumado com cinco qualificadoras, além de sequestro, cárcere privado e furto, todos agravados pelas circunstâncias do crime. Um dos acusados ainda será julgado em março de 2026, por questões processuais. Um quarto envolvido foi morto em Governador Valadares, em fevereiro de 2024.
Investigação e modus operandi
Segundo a Polícia Civil, as irmãs foram sequestradas e mantidas em cárcere privado durante horas, submetidas a espancamentos e intenso sofrimento físico e psicológico. Inicialmente, havia a suspeita de violência sexual contra uma das vítimas, hipótese que não se confirmou oficialmente após a realização de exames periciais.
A investigação revelou que o crime teve motivação patrimonial, caracterizando-se como latrocínio. Durante o cativeiro, foram roubados R$ 1 mil em dinheiro, dois celulares e dez brincos de ouro pertencentes a uma das vítimas.
A operação “Xeque-Mate”, deflagrada em fevereiro de 2024, foi determinante para a elucidação do caso. Embora os celulares não tenham sido localizados de imediato, os investigadores conseguiram identificar o histórico criminal dos acusados, ligados ao tráfico de drogas no bairro Esperança. Imagens dos próprios suspeitos exibindo armas, drogas e dinheiro ilícito foram usadas como prova. A arma do crime — uma pistola G2C, calibre 9mm — foi identificada nessas imagens como a utilizada na execução das vítimas.
Desdobramentos
Dos quatro envolvidos no crime, três foram presos preventivamente. O quarto suspeito, conhecido como “Gnomo”, foi morto em Governador Valadares, em circunstâncias que indicam um possível acerto de contas.










