Prefeitura decreta emergência em saúde pública e anuncia medidas diante do aumento de casos respiratórios

CARATINGA– A Prefeitura de Caratinga decretou situação de emergência em saúde pública para enfrentamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), após aumento significativo nos atendimentos e internações registrados nas últimas semanas. As medidas foram detalhadas durante coletiva de imprensa realizada pela Secretaria Municipal de Saúde.

De acordo com a administração municipal, o crescimento da demanda por casos respiratórios tem impactado diretamente os serviços de urgência e emergência, especialmente na Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h), além de elevar a necessidade de internações hospitalares.

Durante a coletiva, a secretária municipal de Saúde, Paula Botelho, explicou que o decreto tem como objetivo reorganizar e fortalecer toda a rede de atendimento no município. “O decreto visa a mobilização da rede de atenção à saúde dentro do município. Na atenção primária, já elaboramos um plano de contingência, com triagem inicial dos pacientes e direcionamento dentro da rede, inclusive para urgência e emergência, quando necessário”, afirmou.

Entre as medidas adotadas estão a criação de fluxos específicos para atendimento de pacientes com sintomas respiratórios, implantação de classificação de risco na UPA voltada para SRAG e a definição de áreas exclusivas para avaliação desses casos. Além disso, houve ampliação e realocação de leitos hospitalares.

A secretária destacou ainda que o município já articula, junto aos governos estadual e federal, o suporte necessário para ampliar a capacidade assistencial.

“A gente já está em tramitação de documentação a nível estadual e federal para organizar melhor essa rede e evitar a maior mortalidade em decorrência da doença”, explicou.

Aumento de casos preocupa

Segundo Paula Botelho, o decreto foi motivado pelo avanço expressivo dos casos nas últimas semanas. “Tivemos um aumento significativo no mês de março e agora, nesses primeiros 15 dias de abril. Já registramos 17 internações com síndrome respiratória aguda grave, tanto em adultos quanto em crianças”, destacou.

O cenário reforça a necessidade de atenção redobrada da população e da rede de saúde para evitar agravamentos.

Sintomas e sinais de alerta

Durante a coletiva, a pneumologista Natalie Maia explicou que a síndrome pode começar com sintomas leves, semelhantes aos de uma gripe comum, mas evoluir rapidamente para quadros graves. “O paciente pode apresentar dor de garganta, coriza, febre e tosse. Porém, após dois ou três dias, quando deveria melhorar, os sintomas se intensificam, com febre alta e desconforto respiratório”, explicou.

Ela alertou que a principal característica da SRAG é a rápida evolução para quadros graves. “A pessoa pode desenvolver falta de ar intensa, queda na saturação de oxigênio e até cianose, com lábios e dedos arroxeados. É uma condição que pode evoluir rapidamente para internação ou UTI”, ressaltou.

Grupos como idosos, crianças, gestantes e pessoas com comorbidades exigem atenção especial.

Importância da notificação e prevenção

O diretor do Departamento de Epidemiologia, Brenner Carvalho, destacou que a notificação dos casos é essencial para orientar as ações do município. “A notificação é fundamental porque norteia as estratégias da saúde. É a partir desses dados que conseguimos planejar ações e conter possíveis surtos”, afirmou.

Ele também reforçou que a vacinação continua sendo a principal medida coletiva de prevenção, além de cuidados como uso de máscara em casos suspeitos, higienização das mãos e evitar aglomerações.

Apelo à população

A Secretaria de Saúde reforçou o pedido para que a população procure atendimento ao apresentar sintomas e mantenha a vacinação em dia. “A vacinação é uma medida de prevenção coletiva. Pedimos que, ao apresentar sintomas respiratórios, a população procure as unidades básicas para avaliação precoce”, orientou Paula Botelho.

Segundo a secretária, o decreto não deve ser motivo de alarme, mas sim de atenção e organização. “Quando decretamos uma situação de emergência, é porque estamos atentos aos dados e preocupados com o avanço da doença. Esse decreto vem para fundamentar nossas ações e proteger a população”, concluiu.

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