Profissão de doula é regulamentada no Brasil e amplia direitos de gestantes, destaca profissional de Caratinga

CARATINGA – A recente regulamentação da profissão de doula no Brasil representa um avanço importante para a humanização do parto e o fortalecimento da saúde pública. Em Caratinga, a doula Telma Campos, que atua na área desde 2018, destaca que a nova legislação traz mais respaldo para o trabalho dessas profissionais, especialmente dentro das instituições de saúde.

Segundo Telma, o trabalho das doulas já era desenvolvido no município há alguns anos, inclusive com uma lei municipal sancionada desde 2018. No entanto, a ausência de uma regulamentação nacional limitava a atuação, principalmente dentro dos hospitais. “Antes, muitas vezes a gente acompanhava a gestante durante toda a gestação, mas precisava ficar do lado de fora no momento do parto. Não havia um respaldo nacional que garantisse esse acesso”, explicou.

Com a nova lei federal, sancionada em abril de 2026, as doulas passam a ter maior garantia de atuação junto às gestantes também durante o parto e o pós-parto. Ainda assim, Telma ressalta que o desafio agora é a regulamentação prática da lei.

“A profissão foi regulamentada, mas a lei ainda é genérica em alguns pontos. Ainda existem dúvidas sobre como será feita a comprovação da atuação e como as instituições vão aplicar essas regras no dia a dia”, afirmou.

Apoio emocional e informação

A doula atua oferecendo suporte emocional, físico e informativo à gestante e à família, sem substituir os profissionais da saúde. O objetivo é proporcionar uma experiência mais tranquila e consciente no momento do nascimento.

“A doula não substitui ninguém. Cada profissional tem sua função. Nós trabalhamos com a parte emocional, ajudando a gestante a se sentir mais segura e preparada”, destacou.

O acompanhamento começa ainda durante a gestação, com orientações sobre o parto, esclarecimento de dúvidas e preparação da família. Embora muitas mulheres busquem a doula com o objetivo de ter um parto normal, a profissional explica que o foco principal é garantir uma experiência positiva, independentemente da via de nascimento. “O mais importante é que a família esteja preparada e tranquila. Se houver necessidade de cesariana, que ela seja bem indicada e compreendida”, disse.

Desafios dentro das instituições

Apesar dos avanços, a presença das doulas em ambientes hospitalares, especialmente em blocos cirúrgicos, ainda enfrenta resistência em alguns casos. “Já aconteceu de eu precisar ficar do lado de fora, esperando, enquanto a gestante estava lá dentro. Isso mostra que ainda há muito a avançar na aplicação prática da lei”, relatou.

Ela explica que, além das questões legais, existem preocupações das instituições com relação à segurança e à atuação dentro de ambientes esterilizados, como centros cirúrgicos. Por isso, acredita que será necessário estabelecer critérios claros para o credenciamento das profissionais.

Lei garante presença junto ao acompanhante

Outro ponto importante destacado pela doula é que a presença da profissional não substitui o acompanhante da gestante, que também é garantido por lei. “A lei da doula não se confunde com a lei do acompanhante. As duas garantem que a gestante tenha esse suporte antes, durante e depois do parto”, explicou.

Formação e requisitos

Para atuar como doula, é necessário ser maior de idade, ter ensino médio completo e realizar um curso de formação com carga mínima de 120 horas, ou comprovar pelo menos três anos de experiência na área.

Impactos positivos

De acordo com Telma, estudos mostram que a presença da doula pode contribuir para melhores resultados no parto, incluindo redução de cesarianas desnecessárias e maior satisfação das famílias. “A gente busca promover experiências positivas de nascimento. Isso reflete diretamente na saúde emocional da mãe, do bebê e de toda a família”, afirmou.

Atuação em Caratinga

Em Caratinga, o movimento Isis Materna atua na promoção de informações sobre o parto humanizado e na defesa dos direitos das gestantes. Telma também realiza atendimentos, além de participar de ações voluntárias, como rodas de conversa em unidades de saúde e escolas. “É um trabalho de conscientização. A informação transforma a experiência das famílias e pode mudar histórias de forma muito positiva”, concluiu.

Doula Telma em ação: papai Marlon e mamãe Camila, nascimento do bebê Gustavo (Foto: Arquivo pessoal)

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