Leitura de jornal impresso resiste no Brasil e mantém alta credibilidade
CARATINGA – Prevista inicialmente para o último fim de semana, esta reportagem chega ao leitor nesta edição após um contratempo de ordem operacional — atraso que, de certo modo, reforça o próprio tema abordado: a permanência do jornal impresso em um cenário cada vez mais digital.
Dados da pesquisa Digital News Report, divulgados em meados de 2025 pelo Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, ligado à Universidade de Oxford, indicam que apenas 10% dos brasileiros ainda mantêm o hábito de ler jornais impressos. O número evidencia uma mudança significativa no comportamento do público ao longo dos anos, impulsionada principalmente pela ascensão das plataformas digitais.
Apesar da queda no alcance, o estudo aponta um dado relevante: a imprensa tradicional segue como uma das fontes de informação mais confiáveis para a população. O jornal impresso, em especial, ainda é associado à apuração rigorosa, à checagem de informações e à responsabilidade editorial — atributos que sustentam sua credibilidade mesmo diante da redução no número de leitores.
Em Caratinga, essa relação de confiança se reflete na história de leitores que acompanham, há décadas, a trajetória do Diário de Caratinga. É o caso do advogado Jayme Moreira de Andrade, primeiro assinante do jornal, que destaca a relevância do veículo para a comunidade. Inclusive, ‘Dr. Jayme’, como ele é chamando, ainda cultiva hábito de vir até a gráfica e pegar o jornal saindo das impressoras.
“O Diário de Caratinga está completando 31 anos de circulação. Nós caratinguenses reconhecemos a sua importância e congratulamos com as laboriosas e competentes fundadoras, Cida e Vera, que tiveram a visão de criar o jornal, bem como todos os colaboradores do empreendimento, que nasceu pequeno, e que ano após ano foi se tornando sólido em conteúdo e compromisso com a comunicação dinâmica e séria.”
Para ele, a consolidação do impresso foi essencial para suprir uma lacuna informativa na região. “Para Caratinga e região, foi um ganho extraordinário, pois viu-se suprida a necessidade de um jornal de circulação diária, que contemplasse o leitor e a comunidade em geral com informações precisas e visão diferenciada.”
O advogado também ressalta o papel do jornal na cobertura de momentos marcantes. “As coberturas dos acontecimentos foram feitas sempre com profundidade e comprometimento com a verdade, pois o jornal cresceu e se firmou como parte estrutural da comunidade. Destacamos, nesta oportunidade, a cobertura das enchentes em 2003 e 2004, bem como o acidente aéreo que lamentavelmente tirou a vida da cantora Marília Mendonça, e tantas outras, que seus profissionais levaram para toda a região e o país.”
A relação pessoal com o impresso também atravessa gerações. “Não escondo o imenso orgulho de ter sido o primeiro assinante deste jornal e de ter testemunhado, ano após ano, década após década, seu crescimento exponencial e sério.”
Ao projetar o futuro, o advogado Jayme reforça a importância da continuidade do hábito de leitura. “Que as novas gerações de leitores valorizem a importância deste informativo, que trará cada vez mais sustentação à comunicação de nossa comunidade e região.”
Mesmo diante de números que apontam para a retração do impresso, histórias como essa demonstram que o jornal continua ocupando um espaço singular — não apenas como meio de informação, mas como registro da memória e da identidade de uma comunidade.







