Inclusão e respeito ganham as ruas em passeata da APAE em Caratinga

CARATINGA – A manhã desta sexta-feira (27) foi marcada por cores, alegria e, principalmente, por uma mensagem de inclusão e respeito em Caratinga. A APAE promoveu uma passeata de conscientização reunindo alunos, familiares, educadores, autoridades e a comunidade em geral.

A programação teve início com concentração na Praça Cesário Alvim, no coreto, onde foram realizadas apresentações artísticas e um momento especial de abraço coletivo, envolvendo alunos, funcionários, autoridades e mães atípicas, simbolizando união e acolhimento.

A mobilização fez referência ao Dia Mundial da Conscientização do Autismo e ao Dia Internacional da Síndrome de Down, reforçando a importância do respeito às diferenças e da construção de uma sociedade mais inclusiva.

Durante o evento, o presidente da APAE, Cláudio Polidório destacou o objetivo da ação e agradeceu aos parceiros envolvidos. “Buscar a conscientização, do apoio, da atenção, do acolhimento e agradecer. A palavra hoje, na verdade, é de agradecimento à Superintendência de Ensino, à Prefeitura, à Câmara de Vereadores, Polícia Militar e a todos aqueles que estão nos ajudando nesse evento. A gente vai percorrer algumas ruas da cidade buscando conscientizar em prol o dia da Síndrome de Down e dos autistas. Xô, solidão!”, afirmou.

A passeata seguiu pelas ruas centrais da cidade, passando por vias como Rua Miguel de Castro, Praça do Relógio, Rua Raul Soares, Travessa Coronel Ferreira Santos e Rua João Pinheiro, retornando à Praça Cesário Alvim.

Representando a rede estadual, a diretora da 6ª Superintendência Regional de Ensino de Caratinga, Landislene Gomes, ressaltou a importância da participação coletiva. “Então, hoje, nós estamos aqui com a Escola Estadual Princesa Isabel, representando as 82 escolas nesse movimento tão importante, onde todos saem em passeata pela conscientização da inclusão nas nossas escolas. Não importa se autista, pessoa com deficiência, a inclusão de todos. Nós damos as mãos e participamos. Rede Estadual, Rede Municipal, apae e todos os envolvidos nesta manhã”.

Entre os participantes, mães atípicas compartilharam suas vivências e desafios diários. Júlia Duarte, mãe de um autista com hidrocefalia, falou sobre o preconceito enfrentado e a luta constante por respeito. “A mãe atípica tem muito preconceito. O que a gente vive no mundo de hoje, o povo olha pra gente com um olhar diferente. É assim que eu me sinto. O mundo hoje é muito diferente. É uma luta diária”, relatou.

Ela também destacou o carinho e a convivência do filho. “Ele é muito carinhoso. Todo mundo gosta dele. Ele não é agressivo porque eu nunca deixei ele agredir. Teve uma época que ele perguntava assim: ‘Mamãe, o que é que eu tenho? O povo fala que eu sou doido, quem vai na APAE é doido’. Eu falava: ‘Não. Doido é quem está dizendo que você é doido. Eles que são doidos porque não têm educação. Mas a sua escola é uma escola especial. Você não é doido’. Ele foi crescendo assim, sabendo que a escola dele é uma escola especial”.

Luciana Ribeiro, mãe de um jovem com síndrome de Down e integrante da Associação Mães de Mãos Dadas (AMMD), enfatizou a importância do acolhimento às famílias. “Essa passeata é de grande importância. […] Além das crianças, que já têm seus suportes, seus cuidados, necessitam mais ainda acabar com esse preconceito. Ser mais acolhidos. E as mães também precisam do suporte, do cuidado maior. A gente cuida de quem a gente ama. […] E a gente também precisa de um autocuidado. Precisa ser cuidada, acolhida”.

A emoção também esteve presente na fala da aluna Josiane de Paula Dias, que resumiu o sentimento do momento. “A APAE tem muitos professores. É muito bom. Tem a merenda que eu adoro. Estar aqui nessa passeata, na praça é muito bom. A minha mensagem é que meus sonhos se tornem realidade”.

Com o lema de inclusão, amizade e acolhimento, a passeata reforçou o compromisso da APAE e da comunidade com a construção de uma sociedade mais justa, onde todas as pessoas tenham espaço, respeito e oportunidades.

Ação reuniu alunos, funcionários e famílias
Abraço coletivo na Praça Cesário Alvim

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