Anatel confirma início da remoção em massa de carcaças e aparelhos desativados: 38 mil aparelhos ainda permanecem no território nacional
CARATINGA- Os orelhões, telefones públicos que por décadas fizeram parte da paisagem urbana e se tornaram um verdadeiro símbolo nacional, estão com os dias contados no Brasil. A retirada definitiva desses equipamentos das ruas deve ocorrer de forma gradual a partir deste ano, marcando o fim de uma era na comunicação do país.
De acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em dezembro de 2025 ainda existiam 38.354 orelhões instalados em todo o território nacional. A remoção em larga escala começa agora porque, em 2025, se encerraram as concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pela manutenção dos aparelhos: Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefonica. Com o fim dos contratos, as operadoras deixaram de ter a obrigação legal de manter a infraestrutura dos telefones públicos.
A extinção, no entanto, não ocorrerá de forma imediata em todos os locais. Neste momento, o processo envolve principalmente a retirada de carcaças e aparelhos já desativados. Os orelhões ainda deverão ser mantidos apenas em cidades ou localidades onde não há cobertura de rede de telefonia celular, e mesmo assim somente até o ano de 2028.
Como contrapartida pelo fim da concessão, as empresas se comprometeram a investir em infraestrutura de telecomunicações no país. Entre as ações previstas estão a implantação de fibra óptica em localidades que ainda não contam com essa tecnologia, instalação de antenas de telefonia celular com tecnologia mínima 4G em áreas sem cobertura, expansão da rede móvel em municípios, implantação de cabos submarinos e fluviais, ampliação da conectividade em escolas públicas e a construção de data centers.
O cenário reflete a transformação nos hábitos de comunicação da população, impulsionada pela popularização dos celulares e da internet móvel. Assim, os orelhões, que já foram essenciais para milhões de brasileiros, passam a integrar a memória urbana e afetiva do país, cedendo espaço às novas tecnologias que hoje conectam pessoas em tempo real.
Em Caratinga, o desaparecimento dos orelhões já é praticamente uma realidade. Encontrar um telefone público no município tornou-se algo raro, restando, em alguns pontos, apenas carcaças que remetem ao passado.
Os dados mostram um declínio contínuo e acelerado no número de Telefones de Uso Público (TUPs) Nno município entre 2020 e 2025, todos sob responsabilidade da operadora Oi.
Em janeiro de 2020, o município contava com 76 orelhões. Esse número se manteve estável durante praticamente todo o primeiro ano, com pequenas reduções no último trimestre. A partir de dezembro de 2020, quando o total caiu para 63, inicia-se uma redução mais consistente.
Durante 2021, a queda foi significativa: o número de TUPs passou de 47 para 43, refletindo o início do processo de desativação gradual dos equipamentos. Em 2022, houve estabilidade, com 43 orelhões mantidos durante todo o ano, indicando uma fase de transição sem novas remoções expressivas.
O cenário muda novamente em 2023, quando ocorre uma nova redução brusca: de 43 no início do ano para 24 a partir de julho, patamar que se manteve ao longo de todo 2024, sem novas alterações.
A maior redução da série acontece em 2025. Em janeiro, Caratinga ainda registrava três orelhões, número que despenca para apenas um a partir de fevereiro, localizado no distrito de São João do Jacutinga) permanecendo assim até julho, último dado disponível.











