CARATINGA– Caratinga viveu um momento especial de fé e devoção nesta quarta-feira (25), com a acolhida das relíquias e da réplica de São Vicente de Paulo na Catedral de São João Batista. A visita integra a peregrinação nacional que celebra os 400 anos da Congregação da Missão, reunindo fiéis em momentos de oração, veneração e celebração.
A programação atraiu devotos que participaram das celebrações e tiveram a oportunidade de se aproximar das relíquias, consideradas sinais concretos da presença espiritual do santo.
O custódio e portador das relíquias, padre Edson Friedrichsen, destacou o significado profundo da peregrinação e da espiritualidade vicentina. Segundo ele, a missão está centrada no exemplo de Cristo vivido por São Vicente: “Primeiramente, a espiritualidade de São Vicente de Paulo é baseada numa espiritualidade cristocêntrica, onde o Cristo é o centro da espiritualidade e esse Cristo é o evangelizador e servidor dos pobres”.
Ele reforçou que o legado do santo está diretamente ligado ao amor e ao serviço ao próximo, sobretudo aos mais necessitados: “São Vicente de Paulo dizia, como é maravilhoso fazer na Terra o que fez o próprio Filho de Deus, que é amar, servir, conduzir as pessoas para o seu espaço de dignidade”.
Peregrinação nacional e jubileu
A passagem por Caratinga faz parte de uma peregrinação que percorre dioceses de todo o Brasil, dentro das comemorações do jubileu vicentino. A iniciativa teve início no país devido à forte presença da espiritualidade de São Vicente, especialmente em Minas Gerais. “O Brasil é considerado o país mais vicentino do mundo. E o estado de Minas Gerais é um dos grandes culpados por este título”.
A peregrinação seguirá até 2028, levando as relíquias a diferentes regiões como forma de fortalecer a fé e convidar novos fiéis a conhecerem o carisma vicentino.
Significado das relíquias
Durante a acolhida, os fiéis puderam conhecer de perto o conjunto de relíquias trazidas à cidade. Entre elas está uma relíquia de primeiro grau — uma das costelas de São Vicente de Paulo — além de objetos ligados à sua vida. “Num lado, ao contrário do relicário, é uma carta que São Vicente escreve à Santa Luísa de Marilac que nós temos uma tradução ao lado do relicário que aqui está. E do outro lado é um pedaço de uma veste litúrgica que São Vicente de Paulo usou. As três relíquias nos remetem aos primeiros milagres da beatificação e da canonização, pois muitas pessoas foram ao túmulo de São Vicente, rezaram, fizeram a novena e alcançaram graças e milagres”.
Padre Edson também explicou o papel espiritual desses objetos dentro da tradição católica: “A gente sempre deixa muito claro que quem faz o milagre é Deus, os santos intercedem por nós e as relíquias estão aqui para dizer e nos lembrar que no céu tem alguém que intercede por nós ”.
Visita que vai além do templo
Mais do que um momento simbólico, a visita das relíquias foi apresentada como um convite à vivência da fé no cotidiano. Para o sacerdote, a presença do santo ultrapassa o espaço físico da igreja: “Hoje São Vicente está visitando Caratinga, está visitando aqui a catedral, mas deseja muito visitar o coração daqueles que aqui passarem nesse tempo de oração”.
A passagem das relíquias pela cidade segue nesta quinta-feira (26) na Paróquia Senhora Bom Jesus. Na sexta-feira (27), a peregrinação segue para a cidade de Inhapim.
Testemunho de quem vive o carisma vicentino
Para quem já dedica décadas à missão, a presença das relíquias tem um significado ainda mais profundo. Vicentino há 35 anos, Marcos Antônio Ferreira, da Conferência Santa Luzia, do Conselho Particular Nossa Senhora da Conceição, destacou a importância do momento para a comunidade.
“Na verdade, é muito importante para todos nós da Sociedade São Vicente de Paulo, de modo geral, a nossa diocese de Caratinga, já que estamos na caminhada há muito tempo”.
Ele também ressaltou o trabalho silencioso realizado pelos vicentinos ao longo dos anos: “A gente faz um serviço silencioso, não divulgamos nada, mas trabalhamos em silêncio, ajudando as pessoas carentes, acolhendo os pobres, assistindo o asilo Monsenhor Rocha, a gente faz a caridade”.
Segundo Marcos, a atuação vai além da assistência imediata, buscando promover dignidade e transformação social: “O trabalho vicentino é esse, é levar o pão e ensinar a pessoa a ser um bom cristão e fazer a caridade, ajudando todos aqueles que estão passando pela cidade, acolhendo, dando alimento, dando roupa”.
Ele reforça que a missão exige dedicação constante, mesmo diante da rotina intensa: “A gente tem o nosso dia a dia muito trabalhoso, mas a gente tem tempo para fazer isso. Então, o vicentino é isso, é fazer a caridade”
Ao lembrar a inspiração deixada por São Vicente de Paulo, Marcos destaca o exemplo histórico de cuidado com os mais necessitados. “São Vicente de Paulo, que é o nosso patrono, sempre mostrou isso. O vicentino é muito requisitado para fazer as caridades, nesses momentos de tempestade, de guerra, o vicentino está sempre trabalhando na retaguarda”.













