Um leão por dia

Minha amizade e admiração pelo Diário de Caratinga

 

O Diário de Caratinga é, provavelmente, a mais bem-sucedida experiência no jornalismo impresso caratinguense. Surgiu de uma proposta inovadora e, ao mesmo tempo, arriscada para o mercado local: a periodicidade diária, quando as demais publicações vigentes eram focadas na publicação semanal.

Enquanto os outros jornais tinham a semana inteira para reunir material para sua nova edição, o Diário – que no início se chamava “Diário do Aço – Caratinga” – tinha apenas 24 horas. E tudo começava novamente no dia seguinte. E lá vamos nós matar nosso leão de cada dia…

Para isto, o diretor Ilton Rocha, dono do “Diário do Aço” e que investiu no lançamento do projeto, compilou uma equipe formada pelos melhores profissionais do mercado local, trouxe também jornalistas da sua equipe de Ipatinga, forneceu a estrutura física e financeira necessária para bancar o projeto até ele se sustentar sozinho, e o resultado foi o sucesso do Diário, contra muitos prognósticos duvidosos de sua viabilidade.

Enquanto isto acontecia, eu estava em Recife, onde passei uma temporada de mais de um mês a trabalho (e, obviamente, lazer, que eu não ia ficar em Recife só trabalhando e dormindo né?). Quando sai daqui ninguém tinha falado no assunto; quando voltei, a primeira edição já estava nas bancas. Como assim???

Mas vendo um projeto tão legal acontecendo, eu não queria ficar de fora. Sendo amigo de todos os que participavam do mesmo, com o próprio Ilton Rocha sendo um parente meu distante (o que pra ele nunca fez diferença nenhuma rsrs), eu tinha liberdade para ficar sapeando na redação, tomando café, conversando etc., o que eu fazia ao menos uma vez por dia, quando passava na porta do casarão que ficava na praça Cesário Alvin, onde hoje é a Credicooper.

Pouco tempo depois, fui chamado para fazer parte da fundação da agência Voga, junto a meus amigos Glauco Grossi Assis e Odon Loures Filho. Vinculada ao Diário, a Voga fez a ponte quando o jornal deixou de ser DA – Caratinga e passou a ser Diário de Caratinga, e nesse momento, a Super Vera me convidou para ser chargista diário do jornal, cargo que antes era ocupado pelo João Marcos, do DA, criador do impagável Mendelévio.

Ocupei o quadradinho da primeira página por alguns anos, convivendo diariamente com Vera, Cidinha, Joãozinho, Raul, Solange, Mazé, Wilson e tantos outros que por ali passaram; comprei algumas brigas, pois ser chargista local não é como ser chargista nacional – se eu fizer uma charge com o Lula ele nem vai ficar sabendo, mas se fizer com o prefeito de Ubaporanga ou com um vereador de Caratinga, por exemplo, eles me veem passando na rua todo dia. E nem todos tem senso de humor ou gostam de ser criticados né?

Mas isso faz parte, não é assustador pra quem já fez charge no tempo dos militares e recebeu ligação de coronel do exército em Montes Claros falando com o editor do Jornal do Norte pra me falar pra pegar leve que eles estavam de olho. E assim prosseguimos, até que meus conhecidos problemas de atividade etílica evoluíram para uma situação complicada e eu não estava mais dando conta de todo dia estar presente na hora de produzir a charge – ou mesmo presente, não estava apto a produzir meu melhor. Estes problemas, graças a Deus, seriam resolvidos em breve e de forma definitiva! Mas naquele momento, para não deixar o jornal na mão, sugeri à Vera chamar o Edra pra dividir comigo aquele espaço, dia sim dia não, o que ele topou, sendo que pouco depois me afastei totalmente para cuidar de meus problemas de saúde e ele passou a ser o titular do quadradinho diário.

De lá pra cá, não fiz mais parte da equipe fixa do jornal, mas me tornei um colaborador voluntário pelo prazer de poder ocupar um espaço em suas páginas quando desse saudade. Produzi uma coluna semanal durante alguns anos, ajudei a montar a edição recorde de 100 páginas que comemorou os 15 anos do jornal em 2010, contribuo com textos bissextos e, para minha gratidão, o Diário de Caratinga é um espaço com o qual eu posso contar sempre que tenho algum  novo projeto cultural em andamento, para uma divulgação necessária e de grande alcance, que me é dispensada com enorme boa vontade pela redação formada hoje pelo editor José Horta e pelas repórteres Nohemy Peixoto e Ana Paula, entre outros. Sem contar o fotógrafo Wilson Martins e o diagramador Joãozinho, que continuam lá desde os primeiros tempos.

Foi o José Horta que me convidou para falar um pouco sobre minha relação com o Diário para esta edição de aniversário, o que faço com prazer, pois desejo não só o sucesso do jornal como, também, o sucesso da nossa relação de amizade, a entre um jornalista “aposentado” e um jornal que representa muito pra ele. Abraço a todos e vida longa ao Diário de Caratinga!

 

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