A economia mundial, tanto dos países desenvolvidos quanto da maioria dos emergentes, está em processo de recuperação e a retomada do crescimento bastante salutar, entretanto o Brasil foi afetado por uma crise política que ganhou proporções indesejáveis após o início do segundo mandato da Presidente Dilma Rousseff, e com um Congresso Nacional com pautas que claramente tinha o objetivo de dificultar o executivo a administrar a crise, perdeu-se a oportunidade que situação global ofertava.
A nossa crise era de caráter particular e individual, estava totalmente desvinculada da chamada crise mundial e a cada dia foi-se agravando e atingindo o seu ápice após a ruptura constitucional ocorrida em maio de 2015 com o impeachment da Presidente Dilma. Como era de se esperar com a posse do novo presidente e uma base de sustentação comprometida desde o início das votações do processo de afastamento da ex-presidente com algumas reformas que sinalizava ao mercado que teríamos um melhor controle das contas públicas, começaria assim um lento processo de recuperação dos indicadores da economia, com a diminuição do nível de desemprego e a reversão da trajetória declinante do Produto Interno Bruto (PIB), atingindo no final de 2017 o índice de crescimento de 1% de acordo com o IBGE.
Considerando a expressiva capacidade ociosa do nosso parque industrial, o que proporciona a absorção do aumento de demanda do mercado, sem haver necessidade de novos investimentos, estamos aumentando a produção, mas o ritmo de crescimento dos postos de trabalho não tem acompanhado na mesma velocidade. Com a expectativa de um aumento do PIB para 2018 de 3% e a manutenção deste índice para os próximos anos, espera-se que em 2020, a indústria brasileira volte aos patamares anteriores à crise.
Nesse momento certamente os nossos problemas relacionados à precariedade de infraestrutura, como rodovias em condições ruins, portos ineficientes, novas ferrovias que não saem da fase de projetos, entre outros, se aflorarão e assim novos investimentos serão indispensáveis, sob pena da não sustentabilidade do crescimento econômico.
A expectativa com esse cenário econômico é que deveremos ter um alavancamento do mercado de trabalho para os engenheiros, pois não é possível termos um crescimento da economia sustentável sem atacarmos os pontos fracos da nossa infraestrutura, não só em obras de manutenção da rede viária nos modais rodoviário e ferroviário, mas sobretudo na priorização da agilização das obras em andamento de construção de novas ferrovias e modernização dos portos, sendo imprescindível atenção especial na disponibilidade de energia para que o fornecimento seja adequado às necessidades das indústrias. Portanto podemos vislumbrar num horizonte próximo uma melhoria sensível de oportunidades para os engenheiros.
É indiscutível a necessidade de engenheiros para ocupação dessas vagas que surgirão para sustentar o crescimento econômico, entretanto, se desejamos ter uma economia forte temos que entender que o nosso foco deve contemplar um horizonte maior, onde os engenheiros e cientistas tem um papel fundamental na aceleração do crescimento e no desenvolvimento tecnológico. Com isto verificamos facilmente que embora tenhamos no momento um número expressivo de profissionais formados em engenharia, fora do exercício da profissão, por falta de opção de trabalho, teremos que melhorar a qualificação destes para atender esta demanda mais exigente do mercado.
Podemos olhar com otimismo as perspectivas para os próximos anos para a engenharia e notadamente para os engenheiros civis que deverão ser agraciados com novos postos de trabalho com a retomada dos investimentos no setor imobiliário, incentivado pela baixa dos juros e consequentemente tornando mais atrativo investir em imóveis, além de que novas Parcerias Público-Privada (PPP) devem incrementar as obras de infraestrutura pública.
Professor José Salvador Alves, Engenheiro Civil, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), especialista em estruturas de concreto e fundações pela Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), professor do curso de Engenharia Civil das Faculdades Doctum de Caratinga.
PARABÉNS A TODOS OS ENGENHEIROS!
10 DE ABRIL, DIA DA ENGENHARIA









