Sim, és sim um senhor tão bonito. És um senhor ferrenho, por horas ranzinza, mas por muitas horas bom. Engraçado pensar que és, além de tudo, o marcador de vidas, o determinante dos ocorridos, dos dias, das horas, do nascimento e do óbito. Pensar que o tempo delineia as nossas vidas há tanto tempo é, sim, pensar que a infinitude do próprio macera a finitude das nossas e de tantas outras vidas.
O tempo não é palpável, nem tampouco visível. Temos os relógios, mas eles marcam apenas unidades de medida: horas. Eles não marcam o tempo.
Tempo… temporariamente engraçado…
Hoje aqui (até o momento, sim, juiz do agora), talvez em horas, milésimos, aqui não estaremos mais. Porque não nos cabem especulações acerca dos finais. Cabe a nós especulações acerca do agora e, acerca disso… tudo, temporariamente.
Seriam os ventos o princípio do tempo?
Porque, assim, o vento se sente, se esvai e, quando brusco: ceifa.
O tempo se sente, se esvai e, quando brusco: ceifa.
És um fenômeno tão bonito, demarcas a vida, os momentos, a idade das memórias, e quando o nosso tempo acaba ele fica marcadinho, feito um ponto final de um texto, uma bula de remédio, a última gota do rosário, um poema. Uma marca de sangue do tapa que mata o infame e pequeno hematófago alado.
Diasporicamente, o tempo é o senhor insano das vaidades, esgarçado conceito temporal da moralidade humana, delituosa em seus feitos e defeitos temporariamente lembrados. Em tempo, quando ainda o tenho, penso sobre, sobretudo, a falácia temporal da diáspora, de onde haveria eu de estar quando aqui não for mais o meu lugar temporal.









