Telefone passou 41 dias dentro da caixa de esgoto do prédio e foi restaurado
A corretora de imóveis Daiane Alves Souza, 43, morta no prédio em que morava em Caldas Novas (GO), gravou o momento em que foi golpeada no subsolo do condomínio. O síndico Cleber Rosa de Oliveira foi preso por suspeita do crime.
A polícia conseguiu recuperar imagens do celular da corretora. O delegado André Luiz Barbosa explicou que o telefone passou 41 dias dentro da caixa de esgoto do prédio e foi restaurado pela polícia.
“Ah, olha quem eu encontro. O síndico está aqui embaixo”, falou a mulher, em trecho do vídeo divulgado pela polícia. Nas imagens, é possível ver um homem de costas, caminhando, aparentemente, no sentido oposto ao da mulher.
Segundos após Daiane encontrar o disjuntor do apartamento em que mora, é possível ouvir um barulho de pancada e a mulher gritando. A gravação para abruptamente.
“Dá para ver que Cléber aguarda Daiane no subsolo. Ele já estava com a luva nas mãos, o carro posicionado ao lado do almoxarifado. Ele então intercepta ela encapuzado. Tratou-se de um homicídio premeditado”, disse o delegado André Luiz Barbosa.
Segundo a polícia, após desmaiar Daiane com uma pancada, o homem atirou na vítima. O delegado acredita que a luz do apartamento foi desligada propositalmente como isca para que a mulher fosse até o subsolo do prédio. “Daiane foi a própria testemunha desse homicídio. Os vídeos que ela gravou foram fundamentais”, afirmou.
Câmeras de segurança do prédio em que ela morava mostraram que Daiane gravava um vídeo da última vez em que foi vista. Ela desceu ao subsolo do prédio para verificar a falta de energia no local.
Relembre o caso da corretora
Daiane desapareceu em 17 de dezembro de 2025, após descer ao subsolo do prédio onde morava. Ela foi vista pela última vez dentro do elevador, descendo para checar a interrupção de energia em seu apartamento.
O corpo dela foi achado na última quarta-feira, mesmo dia em que a Polícia Civil de Goiás prendeu o síndico e filho dele. Um porteiro do prédio foi convocado a prestar esclarecimentos. Os depoimentos deles não foram tornados públicos, mas as declarações de autoridades e dos próprios suspeitos dão pistas dos detalhes do crime.
O síndico foi preso em casa. Ele confessou o crime e, na sequência, levou a polícia até as margens de uma estrada em Caldas Novas, onde estava o corpo da corretora.
Cléber assumiu que houve “atrito” com a corretora. Ainda que não tenha revelado como foi o crime, ele afirma que houve um desentendimento quando Daiane foi religar a energia do apartamento. A suspeita é que ela tenha sido assassinada em 17 de dezembro, quando foi vista pela última vez.
O filho do síndico é suspeito de obstruir a investigação policial e foi preso temporariamente. Maykon Douglas de Oliveira teria auxiliado o pai a comprar um novo celular e colocado no nome do síndico.
Não se sabe se Maykon participou ativamente do crime. A polícia suspeita que ele pode ter ajudado o pai na ocultação do cadáver.
“Meu filho não tem nada a ver com isso”, disse o síndico após ser preso. Ele isentou seu filho de culpa no crime ao chegar na central de delegacias especializadas, em Goiânia.
O porteiro do prédio foi apenas ouvido e não é tratado como suspeito. A Polícia Civil de Goiás o convocou para prestar esclarecimentos, mas o nome dele não foi divulgado.
Segundo a polícia, o homem foi conduzido à delegacia porque as autoridades identificaram “divergências” no depoimento dele. O desparecimento de Daiane ocorreu às 19h do dia 17 de dezembro, exatamente na troca de turnos entre o porteiro da manhã e o da noite. As divergências e a possibilidade de ter informações sobre o que ocorreu motivaram a convocação.
Fonte: O Tempo





