MAIS UM GOLPE NA PRAÇA

Idosa de 74 anos é enganada por criminosos em Caratinga; polícia alerta para avanço de fraudes psicológicas contra idosos

CARATINGA – Uma idosa de 74 anos foi vítima de um sofisticado golpe de estelionato em Caratinga após criminosos se passarem por gerente bancário, delegado de polícia e investigador. O caso, registrado pela Polícia Militar no último sábado (9), acendeu novamente o alerta sobre a escalada de fraudes direcionadas principalmente ao público idoso.
Segundo informações da ocorrência, a vítima recebeu inicialmente uma ligação por meio do WhatsApp de um homem que utilizava a fotografia de seu suposto gerente bancário no perfil.
Durante a conversa, o criminoso afirmou que haviam sido detectadas movimentações suspeitas na conta bancária da vítima, incluindo transferências e operações financeiras que somariam cerca de R$ 18 mil.
Usando tom técnico e convincente, o autor passou a orientar a idosa a acessar aplicativos bancários e mencionou ainda uma suposta fraude envolvendo o INSS. Em seguida, afirmou que um delegado de polícia estaria acompanhando o caso e que outras instituições financeiras também seriam acionadas.
PRESSÃO PSICOLÓGICA
No dia seguinte, a vítima recebeu uma nova ligação, desta vez de um homem que se apresentou como delegado de polícia.
Segundo a Polícia Militar, o criminoso afirmou que a idosa estaria sendo monitorada por uma quadrilha e correria risco iminente de roubo ou até mesmo de sequestro.
A partir daí, os golpistas passaram a questionar sobre joias, bolsas, celulares e outros objetos de valor, alegando que os bens precisariam ser recolhidos preventivamente para “garantir a segurança” da vítima.
Assustada e convencida pela narrativa construída pelos criminosos, a mulher reuniu diversos pertences para serem supostamente recolhidos pela polícia.
Pouco tempo depois, um terceiro indivíduo compareceu ao local se identificando como investigador.
Em determinado momento, a vítima se afastou deixando a bolsa e o aparelho celular próximos ao suspeito. Ao retornar, percebeu que os materiais haviam sido furtados.
GOLPE SE ESPALHA PELO ESTADO
Casos semelhantes vêm sendo registrados em várias cidades mineiras e seguem um padrão considerado extremamente perigoso pelas autoridades, justamente por explorar medo, urgência e confiança institucional.
Em Belo Horizonte, uma idosa sofreu prejuízo de aproximadamente R$ 19 mil após criminosos utilizarem praticamente a mesma estratégia, se passando por gerente de banco e delegado.
Já em Montes Claros, uma mulher de 74 anos perdeu cerca de R$ 300 mil em um golpe envolvendo falsos funcionários bancários.
Em João Pinheiro, outro idoso da mesma faixa etária teve prejuízo superior a R$ 14 mil após receber ligação de um suposto funcionário de banco alegando fraude em empréstimo e orientando um falso “procedimento de segurança”.
Em dezembro de 2025, a própria Polícia Civil cumpriu mandados em Caratinga contra suspeitos de estelionato eletrônico que utilizavam a confiança de idosos para abertura de contas e realização de débitos indevidos.
COMO AGEM OS CRIMINOSOS
Segundo as autoridades, o chamado golpe do “falso delegado” ou “falso gerente” costuma seguir um roteiro semelhante:

-criminosos informam sobre uma suposta fraude bancária;
-transferem a ligação para um falso setor de segurança ou falsa delegacia;
-criam sensação de urgência e medo;
-convencem a vítima a entregar cartões, senhas, joias, celulares ou realizar transferências para “proteger” o patrimônio.
ALERTA DA POLÍCIA
A Polícia Militar reforça que bancos, delegados e órgãos de segurança pública não recolhem objetos de valor em residências e jamais solicitam transferências bancárias por telefone.
A orientação é para que a população, especialmente idosos e familiares, desconfie de ligações envolvendo fraudes, sequestros, movimentações suspeitas ou pedidos de sigilo.
Em qualquer situação semelhante, a recomendação é encerrar imediatamente a ligação, procurar diretamente a instituição financeira pelos canais oficiais e acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
Para especialistas em segurança, a principal arma dos criminosos não é a tecnologia, mas a manipulação emocional das vítimas.

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