Caso Saory: julgamento de acusado por feminicídio será nesta quinta-feira em Caratinga

 

Família realiza manifestação e reforça pedido de justiça às vésperas do júri

 

CARATINGA – O julgamento de um dos casos de maior repercussão recente em Caratinga está marcado para esta quinta-feira (9), no Fórum Desembargador Faria e Sousa. O réu é acusado pela morte de Caroline Alexia Ferreira Mota, de 25 anos, conhecida como “Saory”, crime inicialmente tratado como suicídio, mas posteriormente enquadrado como feminicídio pela Polícia Civil.

O caso remonta ao dia 19 de novembro de 2024, quando a Polícia Militar foi acionada para atender a uma ocorrência de morte considerada suspeita. Na ocasião, o então companheiro da vítima afirmou que ela teria tirado a própria vida. No entanto, após a realização de exames periciais no Instituto Médico Legal (IML), foi constatado que a causa da morte foi estrangulamento.

Diante das evidências, o suspeito foi preso em flagrante. As investigações passaram a ser conduzidas pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Caratinga, que concluiu o inquérito em dezembro de 2024, apontando a prática de feminicídio qualificado por asfixia, além dos crimes de fraude processual e lesão corporal.

Segundo a Polícia Civil, o investigado teria alterado a cena do crime para simular um suicídio. O pai dele também foi indiciado por fraude processual, sob suspeita de ter auxiliado na modificação do local.

 

Manifestação por justiça

 

Na tarde desta terça-feira (7), familiares e amigos de Saory realizaram uma manifestação na Praça Marta Carli, no bairro Santa Cruz, pedindo justiça e lembrando a trajetória da jovem.

A mãe da vítima, Diane Silva Ferreira, falou sobre a dor da perda e a expectativa pelo julgamento. “Eu venho aqui com a minha família pedir justiça pela vida da minha filha. Ela era uma menina alegre, generosa, que vivia para os outros. Nada vai trazê-la de volta, mas eu espero que a justiça seja feita e que ele não faça outras famílias sofrerem como a gente está sofrendo”, afirmou.

Diane também relatou o impacto da perda na família, especialmente para os filhos de Saory. “Ela deixou filhos, deixou uma família inteira sofrendo. Só Deus sabe o que é deitar a cabeça no travesseiro e sentir essa ausência todos os dias”, disse.

 

Apoio de outras famílias

 

A manifestação contou ainda com a presença de outras mães que também perderam filhas vítimas de feminicídio. Entre elas, Andréia do Nascimento, que teve a filha assassinada em 2020.

“Eu prometi que ajudaria outras mães que passassem por isso. Esse não é um problema só de uma família, é de toda a sociedade. Muitas mulheres ainda vivem em relacionamentos abusivos e não conseguem sair”, destacou.

Durante o ato, foi lida uma carta simbólica, escrita como se fosse a própria Saory, em que a jovem relata a violência vivida e deixa um apelo por justiça.

 

Expectativa pelo julgamento

 

O julgamento desta quinta-feira deve reunir familiares, amigos e representantes da comunidade. A expectativa é de que o júri popular analise as provas reunidas ao longo da investigação e decida sobre a responsabilidade do acusado.

A reportagem procurou a defesa do acusado, que preferiu não se manifestar.

Na tarde desta terça-feira (7), familiares e amigos de Saory realizaram uma manifestação na Praça Marta Carli, no bairro Santa Cruz, pedindo justiça e lembrando a trajetória da jovem

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