No meio do buraco tinha uma estrada

(Noé Neto)    

Iniciamos o ano de 2018 em meio a uma avalanche de bons desejos, esperança e expectativa de um futuro melhor. Mas, infelizmente, aos poucos nossa esperança vai encontrando barreias, buracos pelo caminho.

O ano começou e o pagamento de salários dos servidores públicos estaduais continuam sendo parcelados, o 13º salário referente ao ano anterior parcelado, os aumentos sucessivos dos combustíveis e do gás de cozinha, os impostos vencendo no “pesado” janeiro nosso de cada ano e assim a saúde financeira do povo vai caindo de cama.

Entre todos os impostos e taxas que nos chegam em janeiro as de trânsito são talvez as que mais nos trazem desgosto de pagar. Não é que sejamos ruins de paga, o povo mineiro tem a fama de ser muito trabalhador e de ser honrado com seus compromissos, o problema é que muitas vezes não vemos o retorno desse recurso.

Com tristeza vemos tantas pessoas perderem suas vidas nas estradas que cortam o estado por diversos motivos, entre os quais deve ser destacado a falta de segurança nas mesmas. Basta trafegar por nossa região para perceber a quantidade de danos nas pistas, a falta de sinalização, as placas encobertas por matos. Como agravante muitas vezes esses problemas se somam a imprudência e mau comportamento de alguns motoristas, pedestres, ciclistas e motociclistas.

Em período de férias escolares, o que temos visto nas estradas é que geralmente passeios em famílias se tornam dor de cabeça, com carro quebrado, trânsito parado, danos aos veículos e muitos acidentes, quase sempre resultando em vidas ceifadas.

A estrada Caratinga – Bom Jesus do Galho, conhecida por suas curvas perigosas se encontra cheia de buracos, alguns abertos, outros tampados em níveis diferentes do asfalto. A Caratinga – Ipanema, dispensa comentários. Não me lembro de anteriormente ter visto a BR-262, principal ligação com o Espírito Santo, tão esburacada. No trecho que liga Ipatinga a Diamantina, as placas não são vistas por causa do mato alto e a pista cheia de buracos. Cito apenas esses trechos, pois tive o desprazer de percorrê-los recentemente e infelizmente presenciar diversos acidentes que poderiam ter sido evitados se as condições de trafego fossem melhores, mas pelos relatos diários vemos que a grande maioria das estradas estão nas mesmas condições.

Queremos mesmo que 2018 comece com mais esperança, amor, saúde e educação, mas principalmente com mais vida, menos mortes nas estradas. Claro que isso depende de todos nós (motoristas, passageiros, pedestres, motociclistas e ciclistas), mas há muita responsabilidade de quem administra as vias. Em todas as esferas: federal, estadual e municipal, deve haver mais respeito com o trânsito, com a vida de quem transita e com os impostos e taxas que estamos pagando.

O que nos resta nesse começo de ano é bastante esforço para pagar em dia IPVA, DPVAT e Licenciamento, pois devemos cumprir nossos deveres de cidadão e um desejo enorme de que eles sejam aplicados para recuperação das nossas rodovias. Assim, quem sabe um dia nos espantemos em ver um buraco na estrada, pois já se tornou comum ver estradas no buraco.

Prof. Msc Noé Comemorável.

Escola “Prof. Jairo Grossi”

Centro Universitário de Caratinga – UNEC

Escola Estadual Princesa Isabel