O adeus a Wagner

O ano nem bem começou e, infelizmente, nosso futebol já tem o que lamentar. Vítima de infarto na noite de domingo (14), faleceu o ex-goleiro de América e Caratinga Wagner. Tendo começado a carreira nas categorias de base do Esporte Clube Caratinga em 1970, Wagner Vaz dos Reis marcou época em nosso futebol desde os seus primeiros passos. Em 1975, foi titular do Anápolis, se destacou tanto que recebeu convite para se profissionalizar no futebol capixaba. Ficou por lá por dois anos. Em 1977 assumiu a camisa de titular do América no empate em 1 a 1 com o Esplanada. Wagner ainda atuou com as camisas da Associação de Bom Jesus do Galho, Esplanada, Botafogo de Inhapim e Esporte Clube Caratinga. Em 1983, assumiu uma vaga de bancário e foi trabalhar em Itabuna, na Bahia. Porém, suas defesas incríveis já havia garantido seu nome entre os melhores do nosso futebol em todos os tempos.
O jornalista José Carlos Cerqueira, um dos melhores amigos de Wagner, fala do último encontro: “Me encontrei com Wagner na segunda-feira passada (12). Fazia uns 10 anos que a gente não se via. Veio me visitar na Rádio. Conversamos boa parte da tarde colocando a conversa em dia. Papo tão bom que resolvemos esticar no bar do Dandão numa roda de amigos até 10 da noite. Rimos muito lembrando do tempo em que formávamos um quarteto “fantástico”: ele, eu, o Geraldão Maia e o Paulo César e Lima. Varávamos noites rodando botecos, falando de futebol e “outras coisas”, sempre ao som de NEGUE, cantado pela Maria Betânia no toca fitas rodstar.
No encontro de segunda nos questionamos o tempo todo sobre como deixamos a vida nos afastar tanto tempo. Fiz questão de contar a todos umas dez vezes sobre a trajetória peculiar do Wagner: de como ele conseguiu, depois de vender balas no Cine Itaúna, se tornar um dos melhores goleiros de toda a região, jogando pelo Caratinga, América e San Remo, em seus melhores momentos…medindo pouco mais de um metro e setenta e altura!!! (Um pouquinho mais alto que seu pai, o saudoso Sr. Arlindo). Sua impulsão era impressionante. Parecia voar quando saltava. No auge da forma, de uma hora pra outra resolveu que ia jogar na linha. Contra a opinião de todos se tornou um dos melhores jogadores de linha do San Remo, chegando ao vice Campeonato Mineiro de futsal sob o comando do amigo Geraldão.

Aí parou de jogar de repente e foi ser gerente de banco. Foi gerenciar o Mercantil. Fui vê-lo junto com outro amigo/irmão, o Lula, na agência de Itabuna, na Bahia. O que era pra ser uma visita rápida se estendeu num churrasco noite adentro em sua casa de praia em Ilhéus. Matamos saudade de novo rindo dos casos do Canuta, seu treinador, pai do César e do Élvio. Depois desencontramos…
Fui vê-lo de novo no sítio do Serginho, seu cunhado em Dom Lara. Me chamou e surpreendeu de novo. Tinha montado uma banda, BMW (Brito, Marquinhos e Wagner) e estava tocando profissionalmente, gravando CD e tudo mais. Detalhe: em muitos anos de amizade NUNCA ouvi o Wagner cantar ou tocar nada.
Conversamos muito na segunda passada. Lembramos muito. Rimos muito. Terminamos a noite firmando dois compromissos: primeiro o de que ele traria, breve, sua banda (contratada pra tocar na festa de aniversário de Unaí esta semana) pra um show particular pros amigos em Caratinga. Segundo: que não passaríamos mais tanto tempo sem nos encontrar. Não deu tempo pra cumprir nenhum dos dois. O Wagner surpreendeu de novo. Dando toda a pinta de que estava bem de saúde, enfartou e morreu noite passada (domingo, 14), enquanto montava o som pro show de que falava com tanto orgulho em Unaí.
Eu não tinha a menor ideia de que nosso encontro semana passada tinha sido uma despedida. O Wagner era único”.








