BRASIL CONECTADO, MAS DESIGUAL

Relatório revela quem tem acesso à informação — e quem ainda fica à margem no país digital

 

 

 

CARATINGA – O Brasil nunca esteve tão conectado — e, paradoxalmente, tão desigual no acesso à informação. É o que revelou o relatório Desigualdades Informativas 2025, que traça um retrato detalhado dos hábitos de consumo de notícias no país e expõe um cenário onde tecnologia e exclusão caminham lado a lado.

Hoje, mais da metade dos brasileiros (53,5%) se informa principalmente pelas redes sociais, enquanto a televisão segue como uma força relevante, alcançando 52,5% da população. Já os sites jornalísticos aparecem em terceiro lugar, com 39,7%. Nesta pesquisa, os entrevistados disseram mais de uma opção.

O dado confirma uma mudança profunda: a notícia deixou de ser um produto centralizado e passou a circular em múltiplos canais — nem sempre confiáveis.

 

A ERA DA INFORMAÇÃO PERSONALIZADA

A pesquisa mostra que o consumo de notícias está cada vez mais moldado por preferências individuais e algoritmos. Ferramentas como newsletters e até inteligência artificial já superam meios tradicionais, como revistas e jornais impressos.

Nesse novo ambiente, o leitor não apenas escolhe o que consome — ele recebe conteúdos filtrados, muitas vezes sem perceber os critérios dessa seleção.

Outro ponto de destaque é o crescimento dos aplicativos de mensagens, como WhatsApp e Telegram, que vêm se consolidando como canais de informação — ainda que informais e vulneráveis à desinformação.

 

ESCOLARIDADE DEFINE ACESSO

O acesso à informação no Brasil não depende apenas de conexão à internet. Ele está diretamente ligado ao nível de escolaridade.

Entre pessoas com ensino superior, mais da metade acessa portais de notícias com frequência. Já entre aqueles com menor escolaridade, esse número despenca.

Na prática, isso significa que uma parcela significativa da população consome informação de forma mais superficial — ou restrita a ambientes menos confiáveis.

 

INFORMAÇÃO AINDA É PRIVILÉGIO

Apesar da abundância de conteúdo, pagar por informação ainda é exceção. Apenas 22,4% dos brasileiros investem em notícias, seja em assinaturas digitais ou outros formatos.

O dado ajuda a explicar a crise enfrentada pelo jornalismo profissional — especialmente o impresso, que perdeu espaço diante da gratuidade e da instantaneidade do digital.

 

UM PAÍS DE MUITAS BOLHAS

O relatório também revela que o consumo de informação no Brasil é profundamente fragmentado.

Fatores como renda, idade, religião e posicionamento político influenciam diretamente as fontes utilizadas. Isso cria “bolhas informativas”, nas quais diferentes grupos têm acesso a versões distintas da realidade.

Enquanto parte da população busca conteúdos aprofundados, outra parcela depende quase exclusivamente de redes sociais e aplicativos de mensagens.

 

O DESAFIO DA DEMOCRACIA

Especialistas alertam que a desigualdade no acesso à informação não é apenas um problema social — é uma questão democrática.

Sem acesso a conteúdos confiáveis e sem capacidade crítica para interpretá-los, o cidadão fica mais vulnerável à desinformação e à manipulação.

Em um cenário de excesso de conteúdo e circulação de notícias falsas, o desafio não é apenas informar — é garantir que a informação de qualidade chegue a todos.

 

TRADIÇÃO AINDA RESISTE

Apesar do avanço digital, os meios tradicionais não desapareceram. Televisão e rádio continuam relevantes, especialmente entre públicos mais velhos.

O Brasil vive, portanto, um modelo híbrido: o novo não substituiu completamente o antigo — mas ampliou as diferenças entre quem pode escolher e quem apenas recebe.

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