Princípios e caráter

Atualmente, vivemos em uma época de rápidas e constantes mudanças onde, todos os dias, surgem novos instrumentos para que a humanidade continue ativa nesse processo de mudanças em nossa era. Mas, de todas as coisas que tem causado profundas mudanças em nosso mundo atual, uma delas tem se destacado: a falta de princípios do homem pós-moderno.

A falta de princípios, muitas vezes demonstrada por muitas pessoas em nossa sociedade, tem tido enorme peso para as várias mudanças que vêm ocorrendo atualmente. Tomo aqui como definição de “princípios” os conjuntos de valores morais que temos e usamos como balizas para as nossas decisões, utilizamos como medidas e freios para nossos possíveis atos. Sendo tais princípios as bases que usamos como parâmetro para as nossas ações, como guias para nossa visão de mundo, aquilo que influenciará não só nossas ações diárias, mas também nossos julgamentos, nossa maneira de pensar, de nos guiarmos e de orientar nossa vida.

Tomo aqui como “princípios” aquilo que, basicamente, nos dirá o que é certo ou errado, de acordo com nossas crenças e com a nossa formação pessoal, de acordo com o que aprendemos como atitudes aceitáveis ou não, de acordo com os parâmetros estipulados pela sociedade e, ou, principalmente, pela nossa própria consciência. Como as regras e parâmetros de convívio em sociedade têm a tendência de mudar de acordo com a vontade de alguns, ditando o que é certo ou errado de acordo com certos tipos de situações e dificuldades, aqueles que têm princípios morais individuais fracos tendem a seguir a correnteza de imoralidade que se instaura com esse estado de “princípios” voláteis. Princípios individuais bem estabelecidos são a âncora que nos impede de sermos levados pela correnteza da modernidade líquida, que tem buscado nos tragar e nos afogar em sua corrente constante.

Em uma pessoa onde não há limites previamente estabelecidos e fixados por seus princípios morais, éticos e, ou, religiosos, entre outros, os quais têm grande influência na formação de nossos princípios individuais, tal pessoa, muito provavelmente, terá algum, ou alguns, problemas de caráter e também enfrentará problemas com certos grupos de regras que venham a limitar sua “liberdade”, que venham a limitar a satisfação de seus desejos inconvenientes e imediatos, desejos esses que são gerados por sua falta de princípios e, consequentemente, pela sua falta de disciplina. É extremamente necessário que venhamos aprender a diferença entre “liberdade” e “libertinagem”, pois a má compreensão destes dois termos pode levar nossa sociedade por caminhos tenebrosos.

Nosso caráter reflete nossa moralidade, e essa tem por base nossos princípios morais. Em uma sociedade onde cada um tem suas próprias regras, sem um padrão aceito por todos, que os tornaria realmente em uma “comunidade”, mais cedo ou mais tarde encontrará o caos como consequência inevitável da falta de integração e compreensão de seus indivíduos, que buscam fazer todas as suas vontades, infringindo leis e padrões, movidos completamente pelo hedonismo que tomou conta de nossa época.

Se queremos diminuir ou acabar com a maioria dos problemas que têm afligido nossa sociedade, principalmente aqueles que nascem de desejos mesquinhos e egoístas, que rejeitam todo e qualquer tipo de respeito e empatia, devemos trabalhar de forma que a integridade seja um valor almejável para todos, de maneira que todos possam ser regidos por princípios que possam limitar as ações egoístas e imorais que afetam, sem distinção, a maior parte de nossa sociedade. Precisamos repensar a nossa maneira de ver o mundo, buscando enxergar o valor que reside nas regras e padrões morais para a conservação da comunidade como um todo, não somente visando as vontades e as ideias egoístas que todos nós temos.

Se não houver uma restauração urgente dos princípios, do caráter e da moralidade, estaremos fadados a viver em uma sociedade cada vez mais mergulhada no caos, na desordem e na barbárie disfarçada de progresso. Nenhuma civilização sobreviveu quando abandonou os pilares que sustentam a virtude, a integridade e o bem comum. O preço da omissão é alto: é a destruição da própria sociedade, que, sem limites, se devora a si mesma.

Dessa forma,  ou restauramos os princípios que forjam homens íntegros e sociedades saudáveis, ou assistiremos, de mãos atadas, à completa ruína daquilo que um dia chamamos de civilização.

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