EXCLUIDOS… UMA HISTÓRIA QUE PARECE NÃO TER FIM

*Eugênio Maria Gomes

       Muito antes de publicar o meu primeiro livro, Eu já escrevia e publicava meus textos no jornal DIÁRIO DE CARATINGA. Um dos primeiros tinha o título: “Excluídos… Os Políticos Precisam Deles”, e chegou aos leitores no dia 15 de setembro de 2002.

Naquele texto, tive a intenção de provocar o leitor, o levando a refletir sobre a relação de dependência entre a classe política e as populações vulneráveis.

Na época, se aproximavam as eleições para as Assembleias Legislativas Estaduais e para o Congresso Nacional. O presidente era Fernando Henrique Cardoso, na metade de seu segundo mandato. Naquele ano, o país tinha cerca de 27% da sua população vivendo na extrema pobreza, pessoas com uma renda mensal de 100 a 200 reais.

Mas as campanhas estavam na rua e essa parte da população – somada a outro contingente de milhões de pessoas, também vulneráveis -, defendia seus candidatos com “unhas e dentes”, quase sempre em troca de “favores”, como o pagamento de uma conta de luz, de água ou o aviamento de uma receita médica. Muitos, viviam essa situação há anos e as eleições eram sempre uma oportunidade de auferir um dinheirinho a mais no orçamento.

Passados vinte e quatro anos da publicação daquele texto, com certeza, Eu sou outra pessoa. Na comemoração dos trinta e um anos de existência do DIÁRIO, pelo que merece os parabéns, já sou uma pessoa idosa, diferente, e acredito que melhor, em minha forma de pensar e colocar no papel o que vai em minha mente e em meu coração.

Já em relação ao conteúdo do texto de 2002, pouca coisa mudou. Tivemos uma grande redução da quantidade de pessoas que vivem na extrema pobreza, mas 10% da população ainda se encontra neste triste estágio. Ademais, outra grande parcela da população brasileira, excluída da boa educação, da cultura e da informação de qualidade, ainda se encontra vulnerável à ação maldosa de manipuladores digitais, sujeitas às nefastas influências das “fake News”, às raivosas pregações religiosas, às promessas populistas e vazias de candidatos, influenciáveis por valores morais hipócritas e medievais e incapazes, tornando-se vítimas fáceis da dominação e da subserviência, colaborando, assim, na perpetuação do sistema que as oprime.

Sim, a maior parte dos nossos políticos precisam de pessoas excluídas!  Excluídas do conhecimento e das oportunidades que ele cria, excluídas da boa informação e da tecnologia, excluídas do bem-estar, da saúde, do lazer e da moradia digna.

É fácil dominar quem necessita de ajuda, quem está diminuído, desamparado. Essas pessoas se alegram com o aperto de mão, com o sorriso e com o abraço do candidato, sem antes verificar suas propostas, sua atuação no mandato que lhe foi conferido, sem debater com ele as ações para uma nova etapa.

Em tempo de polarização nacional na política brasileira, a coisa complica ainda mais, com milhões de eleitores defendendo seus candidatos, sem coragem – ou capacidade – de fazer uma análise crítica de suas competências, de seus valores e aptidões. Muitos continuam a ter os seus “políticos de carteirinha” … Muitos, infelizmente, se mantêm no status de “eleitor de estimação”. Também é fácil dominar pessoas desprovidas de raciocínio crítico, carentes de estofo intelectual para perceberem que estão sendo manipuladas.

A dominação é um mecanismo de controle social onde a classe dominante impõe sua visão de mundo como se fosse natural, neutra ou de senso comum, ocultando desigualdades e explorando a classe desfavorecida sem o uso constante de força física. Ela legitima o status quo e faz com que os indivíduos defendam seus próprios opressores.

Nunca a boa Educação foi tão necessária! Somente a Educação pode servir de escudo de defesa, diante das novas formas de controle, de silenciamento e de fundamentalismo religioso e moral.

Quando o país não tiver ninguém mais passando fome, morando nas praças e sob os viadutos; quando não tivermos mais políticos elevados ao patamar dos deuses, quando formos, de fato, uma nação educada e civilizada, talvez consigamos eleger candidatos que realmente nos representem. Até lá, vamos no bolo, como massa de manobra de muitos que enxergam muito pouco além de seu próprio interesse e de sua visão de mundo tacanha e excludente.

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