Nesta semana, no podcast ‘Abrindo o Jogo’, no canal do YouTube do Diário de Caratinga, recebi Istefam Gomes e Duany Lopes, idealizadores da ASAFE. A conversa foi além do esporte. Foi sobre futuro, oportunidade e responsabilidade social.
Vivemos em um país onde muitas crianças e adolescentes crescem cercados por limitações. Falta estrutura, falta incentivo, falta perspectiva. Nesse cenário, o esporte surge como algo que vai muito além da prática física. Ele ensina disciplina, trabalho em equipe, respeito, superação e, principalmente, pertencimento.
Projetos como os desenvolvidos pela ASAFE mostram que transformação social não é discurso bonito — é prática diária. É ocupar quadras, campos e espaços públicos com propósito. É substituir o tempo ocioso por aprendizado. É mostrar que há caminhos possíveis.
É evidente que o esporte, sozinho, não resolve problemas estruturais históricos. Mas ele abre portas. Ele cria vínculos. Ele fortalece a autoestima. Ele revela talentos que, muitas vezes, ficariam invisíveis.
Mais do que formar atletas, iniciativas como essa formam cidadãos.
O poder público tem sua responsabilidade. A sociedade civil também. Quando pessoas decidem agir, organizar e mobilizar, algo começa a mudar. E essa mudança, ainda que silenciosa, é profunda.
Precisamos valorizar e apoiar projetos que constroem pontes onde antes havia muros.
Porque, quando o esporte encontra propósito, ele deixa de ser apenas competição — e se torna instrumento de transformação social.
Bom salientar que o trabalho da ASAFE também alcançou a terceira idade, com projetos e atividades inclusivas que melhoram a qualidade de vida. Que o sucesso da ASAFE inspire outras associações.
Racismo não é questão de opinião
Mais uma vez, Vinícius Júnior sofreu agressões racistas, muitas vezes tratadas por alguns como simples provocação de futebol. Tão lamentável quanto a atitude racista do jogador Prestianni é a “defesa” feita por algumas pessoas, tentando justificar o injustificável.
Lamentável também é a postura do técnico José Mourinho, que culpa a vítima, e não menos lamentável a fala do técnico do Flamengo, Filipe Luís, dizendo se tratar de um “caso isolado”. Não, professor Filipe Luís, não é um caso isolado. Só Vinícius Júnior já sofreu mais de 20 ataques racistas desde que chegou à Europa — sem contar tantos outros casos envolvendo outros atletas.
Posturas lamentáveis, mas não surpreendentes. Afinal, são dois homens brancos falando da dor de um homem preto. Eles nunca saberão o que é racismo na pele.
Rogério Silva
@papoesportivodc










