Ao revisitar o que escrevi ao longo desses anos, se torna claro que os textos dialogam entre si de forma mais profunda do que possam parecer inicialmente. Mesmo que os artigos falem de temas distintos como política, educação, cultura, religião, mídia, moral, poder, etc., todos orbitam um mesmo eixo invisível: a tentativa de compreender a crise de nossa sociedade contemporânea.
Desde os primeiros artigos, a percepção foi clara: não vivemos apenas crises pontuais, mas uma crise de fundamentos – uma crise ontológica. A política entrou em colapso porque perdeu referências éticas – mesmo que sempre digamos que o problema é do “sistema”, esse “sistema” é formado por pessoas, pessoas corruptas que, como consequência, colaboram com a corrupção do próprio “sistema”; a educação se fragilizou e enfraqueceu porque abandonou a formação integral do homem, e como resultado, sempre ocupamos lugares horríveis nos rankings internacionais de Educação; a cultura foi esvaziada porque passou a servir mais ao mercado do que à consciência – na verdade, vou mais além, e digo que a cultura foi utilizada para a destruição da consciência do homem, que já enxerga a cultura não como um meio para seu melhoramento, mas pura “diversão”; a religião foi instrumentalizada; a verdade tornou-se negociável. Tudo isso aponta para um mesmo problema: a erosão dos princípios morais que deveriam nortear as ações do ser humano.
O relativismo, tratado de forma recorrente em meus artigos, é um dos grandes pilares desse colapso. Ao negar a importância dos absolutos morais, não criamos uma sociedade mais tolerante, mas sim, como temos visto, uma sociedade mais confusa. Quando tudo depende do ponto de vista, a verdade deixa de orientar e passa a ser substituída por narrativas convenientes. O resultado não é liberdade, mas desorientação geral.
Outro tema constante em inúmeros artigos é o conhecimento. “Conhecimento” não como o simples acúmulo de informações, mas como responsabilidade. Saber implica compromisso. Conhecer exige posicionamento. Por isso, o desprezo pelo conhecimento sempre apareceu como estratégia de dominação. Uma sociedade que rejeita o conhecimento e o pensamento crítico se torna facilmente manipulável, e isso é mostrado e exemplificado em praticamente todos os textos.
A metáfora da caverna, do caos, da correnteza, da desintegração social, não aparecem em muitos artigos por acaso. Elas expressam a condição de um tempo em que muitos preferem as sombras ao invés da luz, a repetição no lugar da reflexão, a comodidade no lugar da verdade. Sair da caverna, do estado de conformidade, dói, exige esforço, gera conflito, e por isso é evitado.
Toda a unidade e coluna central dos textos estão na insistência de que nenhuma mudança estrutural ocorre sem mudança pessoal. A sociedade não é um simples “agrupamento” de pessoas, ela é o reflexo das escolhas cotidianas de cada um de seus indivíduos. Ignorar isso é transferir responsabilidades e perpetuar o caos que tanto conhecemos.
Dessa forma, todos os artigos apontam para o mesmo diagnóstico: estamos em crise porque abandonamos aquilo que nos sustentava. E enquanto não houver disposição para resgatar princípios, nenhum avanço técnico será suficiente para nos salvar de nós mesmos.
Com isso, por mais que os anos se passem, sem compromisso e mudança pessoal, continuaremos sempre na mesma situação. Não é por acaso que meus primeiros artigos, escritos há dez anos, ainda se aplicam aos dias de hoje. Não porque eles “predisseram” o futuro, mas somente constatam que, por mais que os anos passem, nada muda, e continuamos sempre na mesma situação.










