“Filho da gente não é criação, é gente”, diz mãe que cobra justiça por atropelamento fatal

CARATINGA – A morte de Marcelo do Carmo Silva, de 38 anos, atropelado na madrugada de 9 de junho de 2024 no perímetro urbano da BR-116, em Caratinga, voltou ao centro das atenções nesta terça-feira (10), quando familiares da vítima realizaram uma manifestação em frente ao Fórum Desembargador Faria e Sousa, durante audiência relacionada ao caso.
Marcelo, que morava no bairro Santa Cruz e tinha deficiência auditiva, caminhava pela rodovia acompanhado de um amigo quando foi atingido por um veículo nas proximidades da Delegacia de Polícia Civil. A violência do impacto foi tão grande que peças do automóvel ficaram espalhadas na pista.
Imagens de câmeras de monitoramento registraram o momento do atropelamento. Nas gravações, Marcelo e o amigo aparecem caminhando quando o veículo se aproxima e atinge violentamente o pedestre. Marcelo morreu no local. O outro homem não foi atingido.
O motorista deixou o local sem prestar socorro.
“Largou meu irmão como se fosse um animal”
A irmã da vítima, Maria Helena do Carmo Silva, de 42 anos, afirma que a família ainda busca respostas e responsabilização pelo ocorrido.
Segundo ela, Marcelo havia saído naquela noite apenas para se encontrar com amigos. “O acidente aconteceu no dia 9 de junho de 2024. O meu irmão e um amigo estavam andando de costas. O cara atropelou ele, foi embora, largou meu irmão como se fosse um animal jogado na rua. Não prestou socorro e fugiu”, relatou.
De acordo com Maria Helena, o motorista se apresentou à polícia três dias após o acidente. “Ele se entregou três dias depois e, até hoje, nada foi feito. Não é justo acabar com a vida de uma pessoa e tudo continuar como se nada tivesse acontecido”, afirmou.
A irmã também contestou versões que circularam logo após o acidente, sugerindo que Marcelo estaria caminhando no meio da pista. “Eles não estavam andando no meio da rua. No vídeo dá para ver claramente. Se ele estivesse dentro da velocidade permitida, conseguiria desviar do meu irmão. O que a gente vê nas imagens é que ele estava correndo muito”, disse.

Manifestação por justiça

Durante a manifestação em frente ao fórum, familiares e amigos levaram cartazes e pediram celeridade na apuração do caso.
Para a família, a sensação é de impunidade. “Ele tirou a vida de uma pessoa. Matou um ser humano do bem. A gente só quer justiça”, afirmou Maria Helena.

Dor que permanece

A mãe de Marcelo, Ilda Maria do Carmo Rocha, de 81 anos, também participou da mobilização. Em poucas palavras, resumiu o sentimento da família. “É justiça, né? Filho da gente não é criação, é gente. Ele faz muita falta na minha vida”, disse.
Marcelo foi sepultado no dia 10 de junho de 2024. Desde então, a família afirma viver entre o luto e a espera por uma resposta da Justiça.
Enquanto o processo segue em tramitação, parentes e amigos prometem continuar cobrando esclarecimentos sobre as circunstâncias do atropelamento e a responsabilização pelo ocorrido.

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